Alerta que discursos contra a redução da escala 6x1 e contra a Justiça do Trabalho ameaçam direitos; diz que, sem proteções, o trabalhador perde poder de negociação com o patrão.
Eu tenho acompanhado muitos colegas, advogados, magistrados e juristas alertando sobre algo que deveria preocupar todos nós, independentemente da posição política.
Está em jogo.
Não é apelos uma eleição.
É o futuro da nossa democracia e dos direitos sociais conquistados ao longo de décadas.
Nós voltamos a ouvir discursos contrários à redução da escala 6x1, favoráveis à livre negociação entre empregado e empregador e até propostas de enfraquecimento ou extinção da justiça do trabalho.
Mas existe uma questão fundamental.
Que liberdade de negociação tem o trabalhador que depende daquele salário para sobreviver?
Quem ainda tem o poder econômico tem uma vantagem evidente nessa relação.
É justamente para equilibrar essas desigualdades que existem nos direitos trabalhistas.
E eu pergunto, se hoje, mesmo com leis, fiscalização, justiça do trabalho, tantos direitos são desrespeitados, imaginem o que aconteceria sem essas proteções, se elas deixassem de existir.
Hoje, o trabalhador ainda pode recorrer à justiça para buscar a reparação de direitos violados.
Sem mecanismos efetivos de proteção, muitos desses prejuízos podem se tornar irreversíveis.
Olhem para os Estados Unidos, frequentemente apresentados como referência.
Embora existam proteções trabalhistas e previdenciárias, o modelo americano oferece muito menos garantias federais e federais.
Férias, licenças remuneradas e etc.
para os trabalhadores.
Muitos trabalhadores precisam prolongar a sua vida profissional por necessidade financeira, trabalhando até a velhice.
A nossa Constituição de 88 foi chamada de Constituição Cidadã justamente por uma razão.
Ela protege direitos, limita o poder e estabelece compromissos com a dignidade humana e a redução das desigualdades.
E programas sociais também fazem parte disso.
Além de proteger quem mais precisa, colocam dinheiro em circulação, fortalecem comércio, pequenos negócios e a própria economia.
Os empreendedores têm vantagem com isso.
Eu falo isso como cidadão, mas principalmente como advogado trabalhista, que conhece a realidade de quem vive do próprio trabalho.
Nós não podemos tratar direitos fundamentais como obstáculos econômicos.
Porque a democracia não é apenas o direito de escolher quem governa, é também a garantia de que ninguém terá poder absoluto para retirar os seus direitos, os direitos de quem mais precisa.