Alerta que o corte de até R$ 200 bi sinalizado pela equipe de Flávio exigiria desvincular aposentadorias e BPC do salário mínimo, levando idosos à pobreza.
Se essa proposta de cortar 190 a 200 milhões for a premissa, eu, por definição, eu tenho que entrar nos gastos previdenciários.
E entrar nos gastos previdenciários eu só posso fazê-lo de dois jeitos.
Extinguiria a política de valorização do salário mínimo, mas isso passa longe desses valores.
Aí nós vamos no único lugar...
Onde a despesa obrigatória poderia produzir uma queda da despesa acentuada, nessa ordem de grandeza de 90 bilhões.
A desvinculação dos benefícios do salário mínimo.
E essa é a tese que mais nos preocupa, porque nós temos uma convicção muito grande de que você desvincular os benefícios da presidência, do BPC, do salário mínimo, é a produção massiva de pessoas idosas, pessoas com deficiência,
Levar essas pessoas para a pobreza, para a situação de pobreza.
Porque quando você perde o nexo do salário mínimo com esses benefícios, na verdade o valor desses benefícios fica sujeito a uma regra que ninguém conhece.
Então nós ficamos com duas hipóteses.
Ou é mentira que esse ajuste será feito e aí de fato fica difícil compreender uma certa euforia do mercado.
ou, de outro lado, se esses cortes foram feitos, eu repito, não há hipótese senão um corte expressivo em despesas discricionárias.
E, além disso, isso não será suficiente e implicará cortes em despesas obrigatórias que, na prática, só se faz nessa ordem de grandeza se, além de você extinguir os ganhos reais do salário mínimo, fizer a desvinculação, ou seja, na prática, disser que esses benefícios não estão mais lastreados no salário mínimo.