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E se seu neto perguntar: em quem você votou em 2026?

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Convida a pensar, antes do 2º turno de 25 de outubro, na pergunta que um filho ou neto pode fazer sobre o voto, usando o livro sobre a Alemanha de 1933.

Postado por Manoel Neto em 08/10/2026. Ver o post original

O que é falado no vídeo

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Nos meus últimos vídeos, eu falei da Amazônia e da Constituição.

Falei dos nossos filhos e netos.

Hoje, na semana do Dia das Crianças, quero falar de uma pergunta que um filho pode fazer ao pai.

Quem me deu essa ideia foi o professor de Direito da USP, Conrado Rubner Mendes,

num artigo publicado nessa semana na Folha de São Paulo.

Ele comenta um livro, Infanto Juvenil, do escritor francês Didier Déninck.

O título é forte.

Papai, por que você votou no Hitler?

A história é simples. Alemanha, março de 1933, dia de eleição.

Otto, um menino de cinco anos, ouve os pais discutindo.

A mãe não aceita o voto do pai.

O pai tem medo da crise, quer emprego, quer ordem.

O resto, as ameaças e o ódio, parecia detalhe.

Como diz o menino, papai dizia que era preciso que as coisas mudassem.

Depois vêm os vizinhos que desaparecem, os livros queimados, os primeiros campos,

até que nasce a irmã de Otto, uma bebê com deficiência.

E ela vira alvo do mesmo governo que o pai ajudou a eleger.

O Conrado chama isso de a banalidade do voto.

Não foi um voto ideológico.

Foi um voto de cansaço, de raiva, de esperança em soluções mágicas.

Ele fala em miopia de curto prazo e escreve uma frase que não me sai da cabeça.

O pai, homem de bem, ignora sinais.

Quero ser muito claro com você.

Eu não estou dizendo que o Brasil de hoje é a Alemanha de 1933.

E não estou dizendo que quem votou no Flávio é nazista.

Longe disso.

Eu sei que muita gente, talvez a maioria, votou nele por cansaço do PT.

Eu também critico esse governo.

Ele decepcionou principalmente os mais jovens.

Mas o artigo fala de um tipo de escolha.

É quando a gente olha só para o problema de hoje e ignora o preço de amanhã.

O Conrado descreve isso como uma barganha.

Você pede ajuste nas contas públicas e o outro lado promete, mas sem explicar como.

Em troca, segundo ele, cobra armas na mão de crianças,

ataques a professores e jornalistas,

descaso com o clima, desprezo pela Constituição.

E você responde, negócio fechado.

O livro mostra a maior crueldade desse tipo de voto.

Ele não atinge só quem votou.

Atinge a família e deixa a conta para o futuro.

Por isso, nesse Dia das Crianças, eu te faço um convite.

Imagine o seu filho ou o seu neto daqui a 10, 20 anos perguntando.

Pai, vô, em quem você votou em 2026?

E por quê?

No dia 25, vote pensando nessa pergunta.

Não em direita ou esquerda, nem em você.

Vote pensando em qual resposta você quer poder dar.

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