Convida a pensar, antes do 2º turno de 25 de outubro, na pergunta que um filho ou neto pode fazer sobre o voto, usando o livro sobre a Alemanha de 1933.
Nos meus últimos vídeos eu falei da Amazônia e da Constituição.
Falei dos nossos filhos e netos.
Hoje, na semana do Dia das Crianças, quero falar de uma pergunta que um filho pode fazer ao pai.
Quem me deu essa ideia foi o professor de Direito da USP, Conrado Rubner Mendes, num artigo publicado nesta semana na Folha de São Paulo.
Ele comenta um livro infantil-juvenil do escritor francês Didier Beninck.
O título é forte.
Papai, por que você votou no Hitler?
A história é simples.
Alemanha, março de 1933, dia de eleição.
Otto, um menino de 5 anos, ouve os pais discutindo.
A mãe não aceita o voto do pai.
O pai tem medo da crise, quer emprego, quer ordem.
O resto, as ameaças e o ódio, parecia detalhe.
Como diz o menino, papai dizia que era preciso que as coisas mudassem.
Depois vem os vizinhos que desaparecem, os livros queimados, os primeiros campos, até que nasce a irmã de Otto, uma bebê com deficiência, e ela vira alvo do mesmo governo que o pai ajudou a eleger.
O Conrado chama isso de a banalidade do voto.
Não foi um voto ideológico.
Foi um voto de cansaço, de raiva, de esperança em soluções mágicas.
Ele fala em miopia de curto prazo e escreve uma frase que não me sai da cabeça.
O pai, homem de bem, ignora sinais.
Quero ser muito claro com você.
Eu não estou dizendo que o Brasil de hoje é a Alemanha de 1933.
E não estou dizendo que quem votou no Flávio é nazista.
Longe disso.
Eu sei que muita gente, talvez a maioria, votou nele por cansaço do PT.
Eu também critico esse governo.
Ele decepcionou principalmente os mais jovens.
E você responde, negócio fechado.
O livro mostra a maior crueldade desse tipo de voto.
Ele não atinge só quem votou.
Atinge a família e deixa a conta para o futuro.
Por isso, nesse Dia das Crianças, eu te faço um convite.
Imagine o seu filho ou o seu neto daqui a 10, 20 anos perguntando Pai, Vô, em quem você votou em 2026?
E por quê?
No dia 25, vote pensando nessa pergunta.
Não em direita ou esquerda, nem em você.
Vote pensando em qual resposta você quer poder dar.