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Eu nasci numa família de direita.
Eu fui pras ruas com a minha filha pequena.
Pro impeachment da Dilma.
Pra rua!
Verde!
Vem pra rua!
Quando eu fiz o meu vestibular pra universidade pública.
Eu me lembro de ter chegado a pensar.
Que se eu fosse fazer o vestibular através das cotas.
Eu teria vergonha.
Porque todo mundo saberia que eu era menos inteligente.
Eu já achei que eu não precisava do feminismo.
Me lembro criança e adolescente julgando as pessoas que eram do PT.
Porque elas tinham um celular.
Elas viajavam.
Tinha um carro bom.
E eu falava.
Ah, então quer dizer que você quer dividir tudo com todo mundo.
E um monte de outras coisas desse nível.
Mas que me fizeram chegar até aqui.
Por isso que eu quero compartilhar.
Eu nunca gostei de me envolver com política.
Apesar de que brigava contra petista.
Eu sentia muita raiva do Lula.
E dizia que eu só iria votar em quem pudesse tirá-lo do poder.
Mas a verdade verdadeira é que.
Geralmente eu nem tava em casa pra votar nas eleições.
E acabava só justificando.
Mas graças a Deus a maturidade veio.
E eu parei de olhar só pra minha realidade.
Eu fui vendo que se eu tinha.
Eu queria mais.
É que as outras pessoas também tivessem acesso.
Que se as pessoas não tem acesso ao ensino básico.
De qualidade.
É claro que elas precisam de cota.
Pra entrar na faculdade.
Tô um pouquinho com vergonha de mim mesma.
De assumir essas coisas.
E perceba que eu nunca fui uma má pessoa.
Muito pelo contrário.
Eu sempre fui uma pessoa muito empática.
Mas era muito mais fácil.
Reproduzir um argumento.
Ah, não adianta nada.
Você dá o peixe.
Você não ensina a pescar.
Gente.
Na fome.
A pessoa só quer o peixe.
Depois a gente ensina ela a pescar.
Pra ter muita vergonha.
De falar isso em voz alta.
Tô querendo até apagar o vídeo.
Isso me dá uma certa esperança.
Porque eu sei que assim como eu.
Tem muitas pessoas que apenas reproduzem argumentos.
Narrativas.
E ouvem o pai, a mãe, a tia, a sobrinha.
A gente quer pertencer.
A gente acaba repetindo.
Aquela mesma coisa que não é real.
Se você não foi beneficiada por um governo de esquerda.
Que bom.
Isso quer dizer que você tem muitos privilégios.
Porque quem não tem os mesmos privilégios que a gente.
Percebeu a mudança.
Aí você pode falar.
Mas diminuiu o meu poder de compra.
Será mesmo que diminuiu?
Ou será que isso é um movimento no mundo inteiro?
Aqui em Portugal mesmo.
Diminuiu muito o poder de compra.
E a gente tem um pouco mais de poder de compra do que no Brasil.
Por conta das políticas públicas.
Eu nunca fui petista.
E nem sou grande fã do Lula.
Mas eu sou uma mulher de esquerda e feminista.
E acho sim que um governo bom.
É um governo que olha e tem políticas para as minorias.
Eu tenho certeza que se você é de direita.
Não da extrema direita.
Você não concorda com a família Bolsonaro.
Porque vamos combinar que não é razoável.
As coisas que eles falam e fazem.
Porque se a gente for falar de corrupção.
A gente tem uma grande lista de coisas que essa família já fez.
O Vorcaro tá aí pra mostrar, não é?
E a gente já tem a maioria no Congresso e no Senado.
O que é extremamente perigoso se a família chegar novamente no poder.
Ele já disse, inclusive, que vai mudar a nossa Constituição.
Você já pensou o que ele pode fazer?
Botar no Lula hoje não é porque você gosta dele ou porque você apaga ele.
É porque você percebe a gravidade da situação.