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Médica evangélica criada para odiar o PT explica por que vota 13

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Postado por Rebecca Noguchi em 15/10/2026. Ver o post original

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Meu nome é Rebeca Noguchi, eu sou médica, cristã e bem conservadora na minha vida privada.

Então por que eu voto 13?

Eu digo que eu sou conservadora porque eu não uso droga, eu bebo muito pouco, a minha vida sexual começou, eu já tinha 24 anos, eu sou uma mulher cis, heterossexual, cresci numa família evangélica de direita, fui educada a odiar o PT e odiei por muito tempo.

Votei no Serra em 2010, no Aécio Neves em 2014, esse era o tamanho do meu ódio pelo PT.

O curioso é que eu nem sabia explicar porque eu odiava tanto, eu só sentia que eu tinha que odiar.

E na faculdade eu me entendi como uma pessoa liberal e não como uma pessoa de esquerda.

Mas foi trabalhando no mundo real que tudo mudou.

Eu trabalhei como diretora técnica de uma clínica no SUS, no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Precisei trabalhar desde cedo, não tive dinheiro de família, sempre reconheci o esforço enorme que eu fiz para chegar onde eu cheguei.

Mas cuidar de pessoas me fez entender uma coisa fundamental.

A minha realidade não é a realidade de todo mundo.

E essa constatação foi desmontando meu ego.

E foi ali, naquela clínica, lutando por melhorias para uma população vulnerável, estando à frente de greves, de protestos, levando spray de pimenta na cara que eu finalmente me reconheci como uma pessoa de esquerda.

Então por que eu voto 13?

Porque eu criei asco do bolsonarismo e de tudo que ele representa.

Eu conheço de perto a importância do SUS e das instituições públicas na vida de quem mais sofre no Brasil.

Eu sou médica formada numa universidade pública, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e eu sei o valor de uma educação pública de qualidade.

Eu sou artista também, e eu sei o quanto a cultura salva vidas diariamente.

Eu sou uma mulher cis, mas pessoas trans existem e merecem tanto respeito quanto eu.

Eu sou heterossexual, mas a minha sexualidade não deve determinar como ninguém mais tem que viver ou amar.

Eu cresci cristã e aprendi com o próprio Cristo que a fé não deve ser usada como arma política.

Eu aprendi também que reconhecer os meus próprios privilégios não diminui em absolutamente nada o meu esforço e que defender os direitos de outras pessoas não ameaça os meus próprios direitos.

Conhecer o mundo me fez entender que o projeto de um país não pode ser sobre mim, tem que ser sobre todos nós.

E é por isso que eu voto 13.

E eu tenho certeza que aquela Rebequinha lá de trás, que foi ensinada a odiar o PT sem nem entender direito o porquê, sentiria muito orgulho da mulher que eu me tornei.

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