Diz que o antipetismo foi um projeto de alienação, compara Lula e Flávio e alerta que o ódio ao PT pode levar o eleitor a escolher contra o próprio interesse.
Eu não sou petista, mas eu preciso admitir que o antipetismo foi o projeto mais bem sucedido de alienação em larga escala da política brasileira de todos os tempos.
O Brasil é historicamente um dos países mais desiguais do mundo, o que significa que a vida do rico no Brasil é mais fácil que a vida do rico em lugares onde a população não passa tanta necessidade e, logo, não pode ser explorada com tanta facilidade.
Lula foi o primeiro operário a chegar na presidência da república e, junto com ele, milhões de trabalhadores pobres e pessoas historicamente excluídas passaram a ocupar espaços que sempre lhes foram negados.
Mas as elites não iam deixar isso correr solto, né?
Eles mobilizaram uma máquina política, econômica e midiática que passou a pulverizar, alimentar e enraizar a ideia de que o Partido dos Trabalhadores era a origem de todos os males do Brasil.
E eles conseguiram.
Quando você fala em mensalão, você pensa no Lula, que sequer foi réu.
Mas não pensa no Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que foi condenado há sete anos e dez meses por corrupção e lavagem de dinheiro.
Em 2018, milhões de brasileiros foram convencidos de que, por pior que fosse Bolsonaro, qualquer coisa seria melhor que o PT.
O resultado, recusa de vacina no meio de uma pandemia com 700 mil mortos, negacionismo, ataques às instituições e uma tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023.
Esse projeto de alienação foi tão bem sucedido que as pessoas simplesmente perderam os parâmetros comparativos.
Porque não existe nada de bom sobre o Flávio.
O primeiro emprego dele foi funcionário fantasma.
O apelido dele era Flávio Rachadinha.
Ele lavava dinheiro descaradamente numa loja de chocolate.
Tem áudio dele pedindo dinheiro pro Vorcaro no meio da maior fraude financeira da história do nosso país.
Mas nada disso importa porque convenceram a população de que nada pode ser pior que o Lula.
Que levou luz para 17 milhões de pessoas.
Que criou 14 universidades federais e colocou mais 3,5 milhões de estudantes nas universidades através do ProUni.
Que tirou o Brasil do mapa da fome duas vezes.
A segunda, depois do Bolsonaro levar a gente de volta para lá.
Não dá pra comparar Lula com Flávio.
Pra cada pobre apertando 22 na urna, tem uma garrafa de champanhe sendo estourada por um milionário norte-americano que vai ficar mais milionário às custas da precarização do trabalhador brasileiro, que voluntariamente decidiu caminhar pro próprio abate.
A gente pode criticar o Lula, mas se liberta da alienação do antipetismo antes que ele te arraste para um buraco que, se a gente cair, vai ser muito difícil sair dele.
Quando o ódio vale mais que a razão, quem escolhe o futuro do país não é o eleitor consciente.