Mostra um homem que, mesmo sendo de esquerda, diz manter amizade com eleitores de Flávio Bolsonaro. Defende que o voto na direita vem da busca por pertencimento e critica a esquerda por ser elitista com quem é menos politizado.
Eu tenho alguns amigos que votaram no Flávio Bolsonaro e mesmo eu sendo time Lula, eu continuo sendo amigo deles.
E não, eles não são racistas, machistas, taxistas, não vão tacar uma pedra no macumbeiro na rua.
São pessoas, gente boa, que inclusive tem um senso de coletividade e comunidade muito maior do que muita gente que se diz de esquerda.
O que eu percebo desses meus amigos é que mesmo eles votando na direita e se dizendo de direita, eles não são de direita, cara.
Ele só decidiu ir pra um lado que mesmo falando várias coisas que são contra pessoas iguais a ele, ele encontra mais acolhimento e pertencimento naquele lugar.
Infelizmente, parte da esquerda hoje virou aquele seu amigo chato que fala inglês fluente e te repreende por cantar inglês errado.
Paulo Galo, vulgo Galo de Luta, cantou essa bola alguns meses atrás e foi massacrado pela esquerda quando ele falou não tem mais espaço pro ignorante na esquerda.
E essa é uma realidade.
Ou vocês acham mesmo que o Lula lá atrás, quando fez todo o movimento sindical, todos os trabalhadores ali, sindicalistas, eram politizados, letrados, plenamente conscientes?
Não, mano, eles sabiam que existia uma luta em comum.
Aí o brasileiro comum que não tem lado nenhum, nem direita, nem esquerda, olha pra esquerda e você tem que preencher toda uma ficha cadastral ali, né, saber que não se fala índio, fala indígena aqui.
Entre negro e preto você tem que saber as diferenças.
Quantos livros você já leu?
Você tem uma real consciência de classe?
E aí você olha pra direita, é só entrar.
O discurso do Lula de pai dos pobres funcionava bastante ali antes de 2002, porque o pobre brasileiro só queria um político que olhasse pra ele.
Esse político já apareceu, esse político já olhou, e mudou a vida de muitos desses pobres que não querem ser mais pobres.
Então o pobre de 2026, ele tem ojeriza.
A ser pobre, tá ligado?
Ele não quer votar no Lula, porque na cabeça dele o Lula é um presidente que quer que ele continue sendo pobre.
Mas ele não percebe que se ele é um pobre hoje que pode sonhar com mais, infelizmente deve sim muito esse governo.
Em contrapartida, a direita nem pensa no pobre e o pobre ama isso.
Porque o pobre já foi visto por um político, agora ele quer sair da pobreza.
E ele acha que a direita que vai tirar ele da pobreza, tá ligado?
Simplesmente porque a direita nem pensa na pobreza.
Olha que loucura, a direita vem de um discurso de que o Estado não tem que intervir em nada, tá ligado?
E o povo brasileiro acha ótimo isso, por isso que você vê muito brasileiro contra o fim da escala 6x1, porque a gente tem que trabalhar mesmo e a gente tem que negociar com o nosso patrão, como se a gente tivesse alguma voz perto do patrão.
No final, eu não solto a mão desses meus amigos, porque eu sei que eles acham que ser de direita é querer liberdade e autonomia, e ser de esquerda é querer assistencialismo e coitadismo.
E é isso, mano, a pessoa que é pobre, periférica, tá ligado, de origem humilde de hoje, não quer ser ajudado, mano, não quer ser visto como coitado.
Hoje o pobre está com mais autoestima.
Por que será?
No final, essa liberdade e autonomia que eles acham que vão ter votando na direita, não passa de uma maquiagem de escravidão, tá ligado?
Porque se você não tem direitos trabalhistas assegurados, dá o direito do patrão fazer o que quiser com você.
E eu sei que você quer estar de igual pra igual ali com o patrão, mas a realidade, você que é trabalhador, sabe que não é assim que a banda toca.
O povo não é burro, só tá com as ideias embaralhadas, mano.
Porque até os mesmos que falam que são contra políticas públicas, pra defender o Bolsonaro lá em 2022, o primeiro argumento foi o auxílio emergencial.
Então organiza essas ideias aí, eu sei que você tá com raiva, mas pensa de verdade.