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Por que um paciente autoimune vota em Lula no segundo turno

Um paciente autoimune conta que ficou meses sem remédio biológico em 2019, sofreu sequelas e explica por que o SUS pesa no seu voto.

Postado por Andrade em 07/10/2026. Ver o post original

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Eu gostaria de me posicionar politicamente para esse segundo turno.

Eu atendo no consultório pessoas de vários espectros políticos há muitos anos.

Sempre tive um excelente relacionamento com todas essas pessoas

e eu acredito que é possível o diálogo com aquelas pessoas que estão abertas a ideias,

aquelas pessoas que não ficam repetindo frases de papagaio

e principalmente aquelas que não atacam a pessoa do outro,

apenas discordam dos seus pensamentos e ideias.

É com essas pessoas que eu gostaria de conversar.

Eu faço parte de um grupo, que são os pacientes autoimunes.

Eu convivo com duas doenças crônicas e para me manter vivo,

eu necessito de um medicamento de alto custo.

Quem fornece esse medicamento é o SUS.

Eu tenho as minhas críticas ao governo atual e eu não acho que o SUS é uma maravilha.

Pelo contrário, eu sempre defendi a ideia de que o SUS precisa melhorar.

Em 2019, quando o presidente do Brasil era Jair Bolsonaro

e o governador do estado de São Paulo era João Doria,

os medicamentos biológicos simplesmente sumiram.

Eu fiquei muito, mas muito tempo sem o meu tratamento.

Eu fiquei tão mal, então a minha médica, ela me sugeriu entrar com medicamentos paliativos,

que realmente, eles seguraram a crise, mas me trouxeram.

Dezenas de efeitos colaterais acabaram com a minha qualidade de vida e me deixaram sequelado.

Por conta do tempo extenso usando esses medicamentos paliativos,

hoje eu tenho sequelas no fígado e nos rins.

A cada seis meses eu preciso fazer exames para ver como é que esses órgãos estão

e, infelizmente, eu não recebo boas notícias.

Uma certa pessoa, discutindo um podcast há duas semanas, ele disse que o SUS é um gasto e não um investimento.

E uma pessoa, ela precisa custear a sua própria saúde.

Se ela não é capaz disso, ela precisa conversar com seus familiares e com seus amigos.

Mas essa pessoa não deveria ser responsabilidade do estado.

Essa pessoa sou eu.

Pessoal, eu não tenho família.

Eu tenho mãe, pai, dois irmãos, um parente aqui, outro ali.

Se juntar todo mundo, nós não conseguimos, a cada seis semanas,

comprar o medicamento que custa, no momento, 88 mil reais.

Então, nessa entrevista, essa pessoa praticamente disse que ela não se importa se eu for exterminado.

Eu não estou ansioso com os resultados dessa eleição, mas eu estou preocupado.

A minha preocupação, ela não é hipotética.

Eu não estou com medo das fake news que estão espalhando por aí.

O meu medo é de voltar àquele tempo que foi tão difícil e sombrio pra mim e pra toda a minha família.

Por isso que, no segundo turno, o meu voto é para o Lula.

Eu acredito que o trabalho do Ministério da Saúde e do presidente Lula

foi muito melhor em comparação com o governo anterior.

Então, se você tem um paciente autoimune na sua família,

se você conhece alguém que tem a saúde mais fragilizada e precisa de todo esse acolhimento,

eu acho que é interessante você ver quais são as propostas do seu candidato

e perceber que algumas daquelas ações podem colocar a nossa vida em risco.

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