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Quem manda nos seus dados? Reflexão pré-2º turno e voto em Lula

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Postado por Emicida em 23/10/2026. Ver o post original

O que é falado no vídeo

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Licença pra eu chegar na sua casa, como fala meu parceiro Rashid, eu vou pedir uns minutinhos do seu dia.

E acredite, eu sei muito bem quanto vale o que eu tô te pedindo.

Porque pela primeira vez na história, o que mais vale no mundo não é nem a mercadoria e nem o dinheiro.

É o seu tempo.

É o que as redes sociais vendem, é o que as betes roubam, é o que a escala 6x1 come.

E dinheiro, irmão, a gente recupera.

Tempo.

Não.

O trabalhador sempre lutou por isso.

Em Roma, dois mil anos atrás, um dramaturgo, Plauto, já xingava quem tinha inventado o relógio de sol, porque o relógio de sol cortava o dia dele em pedacinhos.

Lá em 1776, os encadernadores na França faziam a greve para trabalhar só 14 horas por dia.

14.

O lema deles era 8 horas de sono, 8 horas de trabalho e 8 horas do que a gente quiser.

E hoje, esquerda e direita.

O Brasil inteiro concordou numa coisa.

A gente quer viver.

Porque viver é mais do que produzir.

Então, esse vídeo é sobre o que a gente faz com o tempo que a gente tem.

Sabe o que eu mais gosto nesse país, mano?

Viaja comigo.

Lembra quando tentaram trazer pra cá uma moda de atirar em escola como acontece a todo tempo nos Estados Unidos?

Você lembra o que a gente fez?

Teve pai, que eu conheço, que se revezou na porta do colégio.

Teve mãe, tia, avó que montou rede no WhatsApp acionando todo mundo.

Quem podia pagar por segurança pagou.

E o tema da saúde mental entrou forte.

Na juventude, dentro de todas as conversas, ninguém mandou, não teve uma ordem central que veio de cima, nem da esquerda, nem da direita.

Ninguém perguntou em quem o outro votou na hora de cuidar e de proteger aquilo que é o mais importante, que é a vida das nossas crianças.

Foi a comunidade, mano.

E hoje, a gente não tem um tiroteio a cada nove dias nas nossas escolas, como acontece, infelizmente, nos Estados Unidos.

Temos problemas sim, mas eles são outros.

E as soluções para os nossos problemas também vão precisar ser outras, nascidas aqui.

Isso é o Brasil que eu conheço.

Um país que resolve coisa difícil, junto.

Foi assim com o SUS, que é o maior sistema público de saúde do mundo.

E nasceu de onde?

de gente que não aceitou que pobre tinha que morrer na fila, já foi assim, e foi assim com o Pix, que é nosso, é de graça, e funciona melhor que o cartão dos gringos, foi assim com a placa no elevador dizendo que discriminação é crime, foi assim com o adesivo que diz que poxa mano, se você puder dar lugar pro mais velho no ônibus, vai ser importante, com o direito do indígena e do quilombola, terra que é deles, eles ocupam há milênios ou há séculos,

Falta muito, mano.

E a gente reconhece, mas já faltou muito mais.

Eu li um livro no ano passado que me fez olhar pra isso com outros olhos.

Ele mostra que nem na extrema direita brasileira existe maioria querendo mais arma na rua.

É louco isso, né?

70% do país quer menos.

Nosso conservador, na complexidade dele, é inteligente o suficiente pra saber que arma na mão de todo mundo não é liberdade.

É medo?

Isso é um elogio.

E é uma pergunta.

Se até nisso a gente concorda, quem é que tem lucrado com a nossa treta?

Agora eu quero falar de uma coisa que ainda não está no churrasco, mas vai chegar.

Esse caguetinho aqui, ó.

Sabe mais da sua mãe do que você.

Sabe o remédio que ela toma, a hora que ela acorda, o que ela reza, pra quem ela manda bom dia, sabe a música que seu filho tá compondo no quarto agora, sabe a receita da sua avó, a letra de um samba de roda, sabe o jeito que a sua comunidade fala.

E tudo isso, agora, vira comida de máquina.

As inteligências artificiais aprendem com o que é nosso.

A voz, o sotaque, o estilo, o grafismo da pintura, a rima.

E a pergunta que vai decidir os próximos 20 anos, irmão, é simples.

Quem manda nos nossos dados?

O Brasil tem mais de uma coisa rara, não é só a terra.

A gente já construiu, em lei, um jeito de dizer que o conhecimento de uma comunidade pertence à comunidade.

A gente tem autoridade de proteção de dados.

A gente tem lei que diz que se uma empresa lucra com o saber de um povo, uma parte precisa voltar pra esse povo.

A Europa não tem isso.

Os Estados Unidos não tem isso.

Nós tem.

É um ativo do Brasil pro mundo.

Do lado de lá, mano, o plano de governo fala em regulação mínima pra inteligência artificial.

Senador do mesmo partido apresentou umas emendas para liberar o uso da obra do artista sem pagar nada.

A equipe do candidato já disse que quer reduzir o poder da autoridade de dados e revogar as regras para as big tech, essas companhias que mandam nas mídias sociais.

Em maio, os caras foram até a Casa Branca se apresentar como aliado de um governo que abriu uma investigação contra o Pix.

para proteger as empresas de cartão dos Estados Unidos.

Longe de cair aqui no maniqueísmo raso, eu não sou dono da verdade.

Você pode e tem que ter sua própria opinião.

Mas você não pode ter seus próprios fatos.

E o fato é que eles escolheram um lado da mesa.

E não é o nosso.

Uma coisa tão sensível como os dados de 200 milhões de brasileiros numa era em que dado é poder

Não pode ser entregue a quem já combinou de entregar, mano.

Empresa de tecnologia, como a gente tá assistindo, vendo muito bem, não só hoje, não agora por causa da eleição, nos últimos anos, não é neutra.

Vai precisar ser regulada.

No mundo inteiro esse debate tá acontecendo.

E pra isso, a gente precisa de alguém lá no Planalto que trabalhe pra nós.

Não pra quem já escolheu o outro lado da mesa.

Eu quis fazer esse vídeo pra trocar uma ideia com você que ainda não decidiu.

Você que acha que político é tudo igual.

E eu te entendo de verdade.

Mas eu acho que não é o momento da gente pensar no partido.

Eu vou te pedir pra pensar na sua tia.

Como que ela tá?

Aposentou no ano passado, né?

Tá pegando remédio de pressão no Farmácia Popular?

Se liga.

Em 2022, o governo do pai do candidato mandou pro Congresso um orçamento cortando 59% desse programa.

59%.

Só não cortou porque o Brasil gritou.

E o seu pai, que está no posto esperando o exame há três meses?

A equipe econômica do mesmo candidato estuda acabar com o piso da saúde e corrigir a verba só pela inflação.

Na prática, menos médico, mais fila.

O mesmo plano quer que ela pare de subir junto com o salário mínimo.

Eles negam isso em público, mas é o que eles defendem a portas fechadas para o investidor.

Eu posso falar isso porque eu fui pessoalmente assistir fala das equipes.

Pensa no seu negócio, seu bar, sua barraca, seu salão, o Pix é nosso, é de graça e funciona.

Tem gente querendo que a gente pague taxa de cartão pra toda operação de novo.

E o seu filho, sua filha, que trabalha seis dias pra folgar um.

Durante meses teve um candidato que chamou o fim da escala 6x1 de eleitoreiro, de hipocrisia.

12 dias antes da eleição, ele mudou de ideia.

E eu fico feliz de verdade que ele mudou de ideia.

Mas eu também tenho o direito de me perguntar e dividir a dúvida com você.

Você confia em quem mudou por convicção ou em quem mudou porque o povo gritou?

De novo, não é sobre esquerda, não é sobre direita.

Tô falando aqui sobre sua tia, seu pai, sua mãe, seu filho, sua filha.

Porque o governo que eu quero é a extensão do que você já faz todo dia.

Cuidar de quem é seu.

Esse mundo que tá nascendo, ele é fragmentado, ele é tecnológico e ele é cruel.

E cheio de complexidade.

Sabe o que eu descobri na pesquisa que eu faço pra fazer minha música?

Complexidade é nossa especialidade, mano.

A gente é um país que mistura terreiro com laboratório, que faz um sistema de saúde pra 200 milhões de pessoas, que inventa um jeito de pagar que o mundo inteiro quer copiar.

Que escreve em lei que o conhecimento do povo é do povo.

Que protege a escola com o corpo dos pais.

Ninguém no mundo fez isso.

Nós fez.

Quem disse que era impossível ter saúde pública de graça num país desse tamanho?

Nós fez, mano.

Quem disse que era impossível vencer o cartão americano com uma tecnologia nossa?

Nós fez.

Quem disse que era impossível um rapper dar aula em alguma das universidades mais respeitadas do planeta e depois tá aqui, trocando uma ideia com você sobre uma lei que vai governar as máquinas.

Nós não só fez como continua fazendo.

Tudo parece impossível até ser feito.

As soluções que a gente inventa pros nossos problemas são justamente o que esse mundo precisa agora.

O Brasil não é atrasado.

Paraprazeando, inclusive, a retórica do outro lado.

O Brasil é um ativo.

E todo empresário inteligente sabe.

Ativo.

A gente não entrega.

Domingo é dia de eleição.

Eu, na minha reflexão, vou votar 13.

Eu vou de Lula.

Contexto estranho, momento estranho do planeta, mano, não é o voto mais empolgado da minha vida.

Não tô te pedindo paixão pelo candidato.

Tô te pedindo uma coisa maior.

Porque do outro lado, tem gente falando, congelar poupança, a gente já viu esse filme, mano.

Tem gente falando em substituir servidor por inteligência artificial.

Como?

Isso é seguro?

Em que contexto a gente vai fazer uma reflexão sobre isso?

Vai ser testado no remédio?

No serviço da população brasileira, tem um congresso que já foi eleito e que, na minha opinião, pode ser comprado por empresas de tecnologia.

E a única coisa que segura isso agora é a possibilidade de eleger um presidente que, com todas as críticas, e a gente tem liberdade para criticar ele, com todos os defeitos, a gente tem liberdade para reparar nisso, antagoniza com o consenso ruim que vem por aí.

Eu não voto contra ninguém, mano.

Eu voto pela tia, pelo pai, pela mãe, pelo filho, tá ligado?

Pela família da gente, pelo Pix, pelo SUS, pela folga de quem já cumpriu com o seu trampo, pelo direito da nossa cultura ser nossa, inclusive dentro da máquina, sacou?

O rap nacional me ensinou a pensar desse jeito, a acreditar nisso, e é isso que eu tô fazendo.

A gente só tem o agora, irmão, e o agora...

É domingo, vai lá, 13, vai de Lula se você concordar comigo.

E depois, segunda-feira, a gente volta a estudar, a trabalhar e a cobrar nossos direitos.

E não para nunca mais.

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