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Votar em Flávio põe a democracia em risco? O alerta contra o ódio

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Alerta que o ódio dividiu famílias desde 2018 e que a eleição de Flávio daria poder demais ao bolsonarismo. Pede que o eleitor não anule nem vote em branco.

Postado por Cris Pàz em 12/10/2026. Ver o post original

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Por muitos anos a gente votou diferente sem nunca romper relacionamento por isso.

A gente conversava sobre política no bar, na mesa do almoço, no táxi, com quem quer que fosse.

A gente discutia, sentia raiva de vez em quando, mas no dia seguinte passava, todo mundo voltava a se abraçar, a vida seguia.

O resultado das eleições não rompia relações.

Não era uma divergência de valores, era uma divergência sobre os meios pelos quais um ou outro governo conseguiria colocar em prática os valores importantes para todos nós.

A política sempre foi lugar das diferenças.

A gente respeitava as escolhas, a gente votava num candidato e se ele não ganhasse, ganhou a democracia.

Por que será que a partir de 2018 tudo mudou?

A gente passou a não só divergir, mas brigar.

Os natais em família foram esvaziados, teve gente saindo de grupo de WhatsApp, pessoas que se amavam deixando de se frequentar.

Isso não foi por acaso, gente.

Foi estratégia.

Inocular o ódio e construir um muro entre dois lados, como se a gente fosse inimigo, é fazer com que a gente passe a investir a nossa energia em brigar uns com os outros enquanto eles se fortalecem.

Foi isso que o bolsonarismo fez com a gente.

É preciso admitir, existia um cenário favorável à entrada dessa força.

Fomos vítimas do nosso ego.

Eu confesso que uma arrogância da esquerda me afastou dela por muito tempo.

Então aqueles que se sentiam representados se identificaram imediatamente com o discurso contrário e foram abraçar uma identidade sem pensar muito em tudo que estava inserido nela.

Até porque colocaram religião no meio.

O que levou você ao bolsonarismo não foi amor ao seu país, mas sim o seu ódio ao PT.

O ódio é a base desse grupo que passou a combater a arrogância do outro.

Passamos a pensar com o ego, não com o coração.

Uns perceberam desde antes de 2018, outros apostaram e viram o que foi a gestão Bolsonaro.

Outros ainda estão em dúvida.

O ódio ao PT não se diluiu.

Principalmente o ódio ficou entre nós.

Eu apoio o governo atual por diversos motivos.

Mas isso tá longe de dizer que eu não tenho muitas críticas aí.

Ah, mas são 20 anos de PT.

São 17.

Mas é justamente aí que eu queria chegar.

Em 17 anos de PT, ele transformou o Brasil numa ditadura?

Viramos um país comunista?

Viramos a Venezuela?

Você continua podendo se manifestar contra, postar nas redes sociais, organizar grupos de WhatsApp.

A liberdade religiosa não acabou.

Você pode proferir sua fé em quem quer que seja.

Você pode não ter fé ou religião alguma.

Você pode mudar de opinião, ser de esquerda hoje, de direita amanhã, de centro no dia seguinte.

Você pode ouvir música gospel, funk, jazz, samba, pagode, sertanejo, bossa nova.

Você pode ser legendário ou Hare Krishna.

Pode ter a sua orientação sexual.

O Estado não autoriza ninguém a te eliminar por isso.

Já os traços do bolsonarismo instaurado em 2018 têm se mostrado bem fortes e assustadores.

Uma deputada eleita que nega o feminicídio, nega o direito de voto das mulheres.

Um homem negro mais velho se expressando contra uma deputada de esquerda de 21 anos com ameaças racistas, violentas, que já seriam suficientes para colocar ele na cadeia.

Uma criança com arma na mão comemorando a vitória do Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

É nisso mesmo que você acredita?

Eu penso em muitas pessoas que eu amo e eu me recuso a acreditar.

Sei que elas não sentem ódio a ponto de querer eliminar quem é ou pensa diferente.

Mas a gente quer mudança.

Se não der certo, a gente tira.

E é que tá.

Eu gostaria de poder dizer o contrário, mas não.

A gente não tira.

Até porque a chance que eles têm é agora.

O momento é grave e decisivo pra eles e pra gente.

Somos todos nós ou o clã Bolsonaro.

Sim, a gente tirou o pai em 2022.

Ele tentou dar um golpe em seguida e tá preso por isso.

Então, nesse momento, eles precisam se agarrar a essa chance mais do que nunca.

O jogo agora tá muito mais pesado.

A favor deles tem um congresso em sua maioria de direita e uma boa parte de extrema direita, um STF corroído, o apoio do Trump e das big techs.

Não é pouca coisa.

A bala do seu voto nunca foi tão poderosa e escolher para onde você vai direcioná-la decide o destino de todos nós, o meu e o seu.

Eleger o Flávio é dar a essa família não só tudo o que ela precisa para permanecer no poder por anos, é dar de bandeja para eles a única saída.

Em nome do seu ódio à corrupção e roubalheira atribuída ao Lula, você vai dar ao bolsonarismo a chance de ficar por décadas no poder.

Nem vou citar aqui a corrupção atribuída às figuras ligadas ao bolsonarismo, nem vou insistir no fato de ele ser indisfarçadamente um miliciano.

Eu nunca quero ter que dizer que eu te avisei, porque junto com você eu vou estar sofrendo das consequências.

Não é jogo de futebol, não é briga de torcida, não é campeonato.

A aposta deles é essa, tudo ou nada.

Se você tira o seu ego da frente e se dispõe a ler o cenário, percebe que essa ameaça não é só um risco, é uma certeza.

Se eles não conseguirem entrar agora, eles não vão poder tirar o pai da cadeia.

Se eles não conseguirem entrar agora, não terão foro privilegiado e precisarão ser investigados.

Eles e os ministros do STF sobre os quais pairam denúncias, alinhados a eles ou não.

Eu sei que o bolsonarismo quer te convencer de que você já vive numa ditadura.

A ideia é fazer você pensar com o seu ressentimento e não com a cabeça.

Você não vive numa ditadura porque o presidente atual não é o que você elegeu.

Você vive numa democracia onde o presidente atual foi eleito.

Ditadura é muito diferente, muito mais radical.

E aí

Eu votei no Lula várias vezes, vi ele perder várias vezes.

Mas você tem todo o direito de discordar de mim.

Eu não quero te eliminar por isso.

Mas entre discordar de mim e concordar com o bolsonarismo, existe uma distância.

E eles te fizeram acreditar que não existe.

Porque colocaram o ódio na frente da sua liberdade de pensar.

Na ditadura de 64, quem ousava questionar, discordar, se expressar, fazer uma música, uma expressão política, acabava eliminado ou exilado.

Você tem ideia do que é isso?

Agora imagina se fosse o contrário.

Se o Lula tivesse dito que vai mudar a Constituição, e se ele tivesse maioria no Congresso e no Senado, você estaria tranquilo?

Eu também não estaria.

Se o Lula tivesse homenageado um grande torturador de alguma ditadura de esquerda, alguém acharia normal?

Deixaria ele continuar a vida política dele?

Eu não.

Se o Lula fosse presidente durante a pandemia e atrasasse vacina, divulgasse remédios sem eficácia comprovada, incentivasse a não usar máscara, zombasse de pessoas morrendo de Covid, se o Lula deixasse o oxigênio não chegar a Manaus de propósito, causando sofrimento de pacientes, famílias e profissionais de saúde, você o apoiaria?

Se fosse o Lula que fizesse tudo isso?

Anunciasse o que pretende e tivesse maioria no Congresso, ainda mais com o STF corroído, eu seria a primeira a votar no outro lado porque eu entenderia de que lado é que está a ameaça.

Porque eu penso mais à esquerda.

Mas antes disso, eu respeito a Constituição que foi construída com muito rigor e democracia para garantir os nossos direitos.

E dos meus direitos eu não abro mão.

Eu e você podemos pensar politicamente diferente, mas numa democracia a gente precisa decidir pela maioria.

Repito, numa democracia.

Porque votar no Flávio durante uma democracia pode ser dar pra ele a faca e o queijo pra ele tirar a nossa democracia.

e todos os indícios mostram isso.

Se você compreendeu o que está acontecendo e ainda assim pretende votar nulo ou branco, está escolhendo se isentar no momento em que o Brasil mais precisa de você.

Eu preciso de você.

Você precisa de você.

Parece que eles são só contra quem pensa como eu.

Mas no fim das contas, eles são apenas e acima de tudo a favor de si mesmos.

Eu não quero eliminar ninguém que pensa diferente.

Eu quero tirar de cena esse ódio que foi inoculado em todos nós.

E eu tenho certeza de que você também.

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