A luta das mulheres pelo voto: da primeira sufragista a 83 milhões
Postado por Mariane Santana em 21/10/2026. Ver o post original
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Eu vou te contar porque eles não querem que você vote.
Sim, tem gente dizendo que mulheres não deveriam votar.
Gente dizendo que o voto feminino foi uma concessão e não um direito conquistado com muita luta.
Mas essa é a verdadeira história das mulheres que lutaram para que você possa ir às urnas no próximo domingo e escolher quem governará o seu país.
Isabel de Matos Dilon, a pioneira na reivindicação formal do voto feminino no Brasil.
Em 1881, uma nova lei deu direito de voto a quem tivesse diploma de curso superior.
Não dizia que precisava ser homem, porque ninguém imaginava que uma mulher fosse reivindicar.
Isabel era dentista, apresentou diploma e solicitou inclusão na lista de eleitores com base na lei, mas seu direito foi negado.
Josefina Álvares de Azevedo, jornalista, transformou o jornal em propaganda pelo voto feminino, criou uma sessão chamada O Direito ao Voto e em 1890, enquanto a primeira Constituição da República era escrita, ela chegou a levar ao teatro uma peça chamada O Voto Feminino.
Leolinda Doutro, a mulher que fundou um partido antes mesmo de poder votar.
Em 1910 ela fundou o Partido Republicano Feminino e sete anos depois organizou uma passeata no Rio de Janeiro exigindo a extensão do direito ao voto às mulheres.
Berta Lutz, a mulher que transformou a luta pelo voto em movimento nacional.
Ela fundou em 1922 a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que passou 10 anos pressionando deputados, senadores e o governo.
Ela chegou a jogar panfletos de voto feminino de um avião sobre o Rio de Janeiro.
Muitos anos depois, ela integrou a mobilização que garantiu a menção à igualdade de gênero no documento fundador da ONU.
Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora da América Latina.
A pressão das sufragistas fez o estado do Rio Grande do Norte aprovar uma lei estadual permitindo o voto feminino em 1927.
Ela votou, mas depois o Senado anulou o voto dela, alegando que a lei federal não reconhecia esse direito.
Alzira Soriano, a primeira prefeita da América Latina.
Graças à mesma lei do Rio Grande do Norte, ela se candidatou à prefeitura de Lages em 1928.
Os adversários diziam que uma mulher pública era sinônimo de ser prostituta.
Ela venceu com 60% dos votos e tomou posse, mas foi afastada dois anos depois com a Revolução de 1930.
Em 1932, depois de anos de pressão, o Código Eleitoral garantiu o voto feminino no país inteiro, mas para elas o voto era opcional e quem não sabia ler continuava sem poder votar.
Carlota Pereira de Queiroz, a primeira deputada federal do Brasil.
Em 1933, na primeira eleição nacional com voto feminino, ela foi a única mulher eleita para escrever a nova Constituição do país.
Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita deputada no Brasil.
Filha de uma mulher que tinha sido escravizada, ela fundou uma escola para alfabetizar adultos pobres, numa época em que quem não sabia ler não podia votar.
Em 1934, ela foi eleita deputada estadual em Santa Catarina.
Chegamos em 1964, quando os militares deram um golpe e instalaram uma ditadura no país.
Os brasileiros, tanto homens quanto mulheres, perderam o direito de escolher o presidente.
Nesse intervalo, muitas mulheres continuaram lutando em busca de seus direitos políticos, mas elas foram perseguidas, violentadas, torturadas ou mortas.
Amelinha Telles, presa em 1972, levou choques elétricos, sofreu violência sexual e os torturadores trouxeram os filhos dela, de 4 e 5 anos, para assistirem a mãe sendo torturada.
Dilma Rousseff, presa aos 19 anos, passou quase 3 anos nos porões do regime militar.
Foi pendurada no pau de arara, levou choques elétricos e foi espancada diversas vezes.
Só em 1985 a ditadura acabou e o país precisava de uma nova constituição.
Dos 559 parlamentares eleitos, para escrever essa constituição, só 26 eram mulheres.
5%.
A imprensa apelidou o grupo de Lobby do Batom para debochar delas.
Junto com o Movimento de Mulheres, que entregou ao Congresso a Carta das Mulheres Brasileiras aos constituintes, elas conseguiram colocar na Constituição de 1988 que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações e garantiram a licença-maternidade de 120 dias.
A primeira presidente mulher do Brasil foi eleita em 2010, Dilma Rousseff, uma sobrevivente que já conhecemos.
E ela foi reeleita em 2014, mas dois anos depois sofreu um golpe, foi impitimada.
A única mulher que já foi presidente desse país não pôde terminar o seu mandato legitimamente eleito.
Marielle Franco, mulher negra, criada na favela da Maré.
Ela foi eleita em 2016 como vereadora do Rio de Janeiro e usava o seu mandato para denunciar a violência nas favelas.
Em 14 de março de 2018, Marielle foi assassinada a tiros por fins políticos.
Apenas algumas das mulheres que lutaram para que você, mulher, tivesse participação política.
Nós, mulheres, somos a maioria do eleitorado brasileiro.
Somos mais de 83 milhões de votos.
Nós temos o poder de definir qualquer eleição.
Então, nesse domingo, vá votar.
No passado, muitas de nós não puderam escolher.
Mas agora você pode.
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