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Bolsonarista na pandemia, ela perdeu a avó e hoje alerta sobre desinformação

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Postado por Priscila Midasa em 14/10/2026. Ver o post original

O que é falado no vídeo

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Em 2020, no meio da maior crise sanitária da nossa geração, eu era uma bolsonarista fanática.

Eu acreditava que tudo aquilo era só uma gripezinha, que era uma conspiração da esquerda pra derrubar o Bolsonaro.

Enquanto milhões de pessoas ficavam em casa tentando proteger quem amavam, eu saía pra rua.

Eu levava minha filha pro parquinho, meu marido jogava bola e eu ficava lá conversando.

As pessoas passavam de carro, gritavam com a gente, pediam pra gente voltar pra casa.

E sabe o que eu respondia pra elas?

Seus esquerdistas, isso é tudo pra derrubar o Bolsonaro?

É só uma gripezinha?

E depois eu ia visitar a minha avó, tomava café com ela, abraçava, beijava.

Eu nunca vou esquecer a última vez que eu abracei e que eu beijei a minha avó.

E ela ainda me disse, Priscila, não fica na rua, menina.

E eu respondi, não vó, não precisa se preocupar, não é nada.

E eu dei um beijo nela e um abraço.

E foi a última vez que eu a vi.

A minha avó estava bem.

Ela estava em pé.

Ela era uma das mulheres mais fortes e ativas que eu já conheci na minha vida.

Só que em 20 dias ela estava morta.

E sabe o que aconteceu depois?

Mesmo vivendo o luto mais difícil da minha vida, eu ainda negava a realidade.

Eu dizia que ela não tinha morrido por causa do vírus.

Mas foi por pânico que estavam causando, eu preferia negar os fatos a questionar aquilo que eu acreditava.

E é por isso que eu começo esse vídeo dizendo que eu matei a minha vó.

Eu não sei, ao certo, como ela foi infectada.

Eu não posso afirmar que fui eu que transmitiu pra ela.

Mas eu sei que as minhas escolhas foram irresponsáveis.

Eu ignorei os alertas de especialistas e coloquei as minhas convicções políticas acima da prudência e do cuidado com quem eu amava.

Eu coloquei a minha ideologia acima da ciência.

E até hoje eu carrego o peso de não saber se as minhas escolhas contribuíram para aquela perda.

E eu estou contando isso porque a desinformação não é apenas uma mentira na internet.

Ela muda comportamentos, faz pessoas ignorarem alertas, desconfiarem de especialistas e confiarem cegamente em líderes que não conhecem a nossa família, que não vão sofrer o nosso luto, não vão carregar as consequências das nossas escolhas.

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