Yanomami: relato de quem viveu lá compara os governos Bolsonaro e Lula
Postado por IRENE RI em 17/10/2026. Ver o post original
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É a quinta vez que eu tento gravar esse vídeo sem chorar, mas eu vou conseguir.
Eu tive o privilégio de viver e trabalhar com os Yanomami.
Há pelo menos mil anos eles estão ali protegendo a floresta.
Quando morei lá, as roças eram fartas, os rios tinham peixes, as crianças recebiam atendimento médico e a malária era controlada.
Eu mesma precisei e fui atendida.
Aí veio 2019 e o governo Bolsonaro, que defendeu publicamente abrir terras indígenas para mineração.
E então, mais de 20 mil garimpeiros invadiram a terra Yanomami.
O mercúrio contaminou os rios e os alimentos, a malária se espalhou, os invasores roubaram as roças, doentes e famintos, os Yanomami passaram a depender dos garimpeiros para comer.
Vieram a violência, a exploração sexual e as equipes de saúde já não conseguiam chegar com segurança.
Foram 1.506 mortes notificadas, mais da metade crianças com menos de 5 anos.
Mas sabemos que foram muito mais, porque em 2022 as fichas de óbito deixaram de ser feitas.
E não dá pra dizer que ninguém sabia.
Foram 21 ofícios de pedido de socorro enviados pelas lideranças.
Em julho daquele ano, a Câmara dos Deputados fez uma audiência sobre a tragédia que acontecia.
No mês seguinte, a FUNAI alertou o Ministério da Justiça que medidas urgentes precisavam ser tomadas e nada foi feito.
Faltavam remédios nos postos de saúde.
O Ministério Público relatou que medicamentos eram desviados, inclusive a cloroquina, que trata a malária, não Covid.
Mais de 10 mil crianças ficaram desassistidas.
As infecções por verminoses foram tão graves que crianças expeliam vermes pela boca.
Para mim, aquilo era um claro projeto de extermínio, para que poucas mineradoras lucrassem com aquela terra.
A riqueza extraída foi exportada por meio de lavagem de dinheiro, não trazendo nenhum benefício ao nosso país.
Eu já não trabalhava mais lá, mas amigas que estavam na linha de frente me mandavam essas notícias.
Até que elas pararam, porque sofriam ameaças.
Quando o governo Lula sumiu, declarou-se emergência sanitária imediata.
Houve uma força-tarefa e a área garimpada caiu mais de 99%.
As equipes de saúde passaram a contar com o triplo de profissionais.
Mais de 100 mil cestas básicas foram entregues enquanto os Yanomami recuperavam suas roças.
As crianças voltaram a ter exames, vacina e tratamento.
As mortes por malária caíram 80%.
A Casa de Governo em Boa Vista coordena a proteção do território.
E tem água limpa.
73 sistemas de abastecimento foram instalados e recuperados.
Tenho conversado com muita gente na rua sobre política e me assusta muito a quantidade de desinformação.
Por isso, quis compartilhar esse relato real e objetivo de uma coisa que eu vivi, para você olhar para os fatos e pensar no projeto de país que você quer apoiar.
Esse cestinho aqui foi uma criança Yanomami que fez para mim.
Eu espero muito que essa e todas as crianças Yanomami permaneçam vivas.
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