Você já olhou pra alguém e pensou assim, isso aí não tem cara de médico não.
Engraçado como a gente consegue só olhar pra origem, pra cor, pro jeito que a pessoa fala, ou pra posição política, e transformar tudo isso numa régua e medir o quanto a pessoa vale, ou mesmo o quão competente ela é.
Gente, mas a graça de trabalhar em um ambiente hospitalar é que é o melhor lugar do mundo para nos mostrar com clareza quem somos.
E o ser humano é finito e dependente um do outro.
Porque veja só, diante da dor, do medo ou da possibilidade da morte, pouco importa rótulo, se quem te ajudou é de direita ou de esquerda, o que importa, no final das contas, é se você foi acolhido, respeitado e cuidado com dignidade.
E talvez é justamente por isso que eu não consigo,
Eu também penso em quem vai ser deixado para trás se alterarmos, por exemplo, nossa Constituição Federal ou se a gente subfinanciar o SUS.
E é para isso que políticas fortes existem, para transformar cuidado em direito.
É o país onde ninguém precisa ter cara de nada para ser respeitado, coitado ou reconhecido.
E como diz o poeta Emicida, tudo que nós tem é nós.
E nós, minha gente, nós tem o SUS.
Nós tem a constituição mais popular e democrática do mundo.
E nós tem o povo brasileiro com cara de brasileiro.
Por isso, viva o SUS, viva a democracia e viva o povo brasileiro.