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Dark Horse: O Filme Que Ninguém Viu

O filme sobre Bolsonaro que negociou até US$ 24 milhões com o dono do Banco Master teve uma única sessão pública conhecida, em Las Vegas. No Brasil, ninguém viu. O making of, a Polícia Federal viu.

Postado por Segundo Consta em 25/09/2026. Ver o post original

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Las Vegas, junho de 2026, num hotel, segundo a organização, 700 lugares esgotados, a 350 dólares cada, para ver um filme brasileiro.

Falado em inglês, sobre Jair Bolsonaro, o diretor diz que espera que os brasileiros vejam o filme e levem Flávio Bolsonaro ao poder.

Foi a única sessão pública conhecida de Dark Horse. No Brasil, ninguém viu.

Mas todo filme tem um making-of. E o making-of desse, quem assistiu, foi a Polícia Federal.

É a história de um filme pelo qual, segundo a PF, foram negociados até 24 milhões de dólares com o dono de um banco.

Vamos assistir.

Capítulo 1. O elenco.

Dark Horse é uma cinebiografia do ex-presidente, com Jim Caviziel, no papel principal.

Direção de Cyrus Nourastê e produção da Go Up, da empresária Karina Gama.

No papel, dois produtores executivos, o deputado Mário Frias e Eduardo Bolsonaro, o filho.

Segundo o Intercept, o contrato de Eduardo, assinado em janeiro de 2024, dizia que cabia a ele ajudar a identificar recursos de financiamento.

Em dezembro de 2024, Frias manda um áudio para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Só te agradecer, meu irmão.

Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá?

Capítulo 2. O investidor.

Segundo a Polícia Federal, quem negociava com o banqueiro era o outro filho, o senador Flávio Bolsonaro.

O valor, até 24 milhões de dólares em 14 parcelas.

A primeira de 2 milhões vence em 20 de janeiro de 2025.

Na véspera, Flávio e a família voltaram dos Estados Unidos no gatinho que uma empresa do Vorcaro tinha um terço.

O banqueiro não estava a bordo.

E a parcela atrasou.

No dia 20, o senador pediu um gás na resposta do jurídico do investidor.

Capítulo 3. O fundo acorda.

Em 2020, nasceu no Texas um fundo para construir um loteamento de 21 milhões de dólares.

Segundo a PF, ele ficou operacionalmente inerte por quase 4 anos, até fevereiro de 2025.

No celular do banqueiro, meu cunhado avisa que o câmbio do banco está criando caso.

E o banqueiro resolve.

Vamos fazer via entre.

A Entre é uma empresa de investimentos.

No dia 13, 2 milhões de dólares saem dela para o fundo.

O cunhado mandou comprovante. Filme.

Um dos donos do fundo é o advogado de imigração do Eduardo.

Em março, chega ao banqueiro o print de uma conversa atribuída ao Eduardo, com uma orientação.

Enviar o máximo possível.

Até setembro, foram 7 remessas, ao menos 12 milhões, 333 mil dólares.

E o loteamento.

Segundo o Intercept, nenhum terreno registrado no nome do fundo.

Capítulo 4. A cobrança.

Setembro de 2025.

As parcelas atrasam e o senador grava um áudio.

Fico sem graça de ficar te cobrando.

Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus.

Os caras, porra, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial.

O banqueiro responde.

Eu vou resolver amanhã.

Oito dias depois, sai a sétima remessa.

Em outubro, começam as filmagens em São Paulo.

Flávio escreve.

Já estamos no terceiro dia de gravação.

Estamos no limite.

E convidou o banqueiro pra jantar com o Jim Caviezel e o diretor.

O jantar foi marcado.

Se aconteceu, não se sabe.

Capítulo 5. Me dê uma luz.

Novembro de 2025.

Durante quatro dias, Flávio tenta falar com o banqueiro.

No domingo, dia 16, escreve.

Irmão, estou e estarei contigo sempre.

Só preciso que me dê uma luz.

No dia seguinte, Vorcaro é preso no aeroporto de Guarulhos embarcando pra Dubai.

E o filme?

Continuou sendo filmado.

O nome do senador aparece entre os contatos do banqueiro.

Ele disse que nunca teve contato.

Maio.

O Intercept publica o áudio e as mensagens.

Na porta do Supremo, Flávio chama de mentira.

Horas depois vem a nota.

Um filho procurando patrocínio privado pra um filme privado.

No dia seguinte, a explicação.

Quando eu falo, ô Júlia, que eu não nego, na verdade, que conheci o que eu tinha contato com ele,

é porque tinha uma cláusula de confidencialidade nesse contrato.

E o fundo?

De qual fundo?

O Heavengate?

Eu não sei exatamente qual é o nome do fundo.

É importante falar, ô Malu, que esse fundo, ele é fiscalizado pela SEC, que é tipo a CVM dos Estados Unidos.

Segundo a Piauí, o fundo não tem registro na SEC.

O irmão também tem a versão dele.

Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro deste fundo que foi criado nos Estados Unidos,

está mentindo para você.

Em setembro, perguntado sobre uma parcela, o senador responde.

As informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente.

Tenho que perguntar pra produtora.

Desculpa.

Gente, olha só.

Tenho que perguntar pra produtora.

Esse assunto, eu não tenho como aprofundar.

A resposta é que eu tenho que perguntar pra produtora.

Pergunte pra produtora que parcela é essa.

Em maio, a Aos Fatos contou 12 declarações enganosas dele sobre o caso.

Em setembro, 43.

Desde julho, Flávio é investigado no Supremo por suspeita de corrupção, lavagem e evasão de divisas.

Não é real.

E diz que não há nada de errado com o filme.

Capítulo 7, O Outro Bolso.

O filme tem ainda uma segunda linha de investigação.

Frias destinou duas emendas de um milhão de reais cada ao instituto presidido pela dona da produtora.

Segundo a PF, 700 mil saíram do instituto pra empresas de um grupo.

E uma empresa do mesmo grupo mandou 750 mil pra produtora.

A PF diz que ainda não dá pra afirmar que é o mesmo dinheiro.

Da conta do próprio Frias, saíram 645 mil reais pra produtora.

E a produtora pagou 136 mil reais em faturas do cartão dele.

Frias não explicou.

Mas avisou.

Emenda parlamentar não é dinheiro que passa pela mão do deputado.

A dona da produtora diz que o filme não tem emenda nenhuma.

Os dois são investigados.

Ninguém foi denunciado.

Capítulo 8, A Estreia.

A estreia no Brasil estava marcada pra 11 de setembro de 2026.

No dia, nem a distribuidora adiou.

Duas semanas depois, disse que nunca teve adiamento.

Nem data.

Até agora, minha única sessão conhecida foi aquela em Las Vegas, num evento sobre fraude eleitoral.

700 ingressos a 350 dólares.

245 mil dólares.

1% do que foi negociado.

Pra chegar a 24 milhões de dólares só com ingresso no Brasil, seriam 6 milhões de espectadores.

Quase o público inteiro de Ainda Estou Aqui.

Isso me chateia, porque eu já tava com o ingresso na mão pra ver.

Ou seja, o filme, no Brasil, ninguém viu.

O making of, a Polícia Federal viu.

E segundo consta, ainda não acabou.

É.

Não acabou.

Ou seja, o filme está com o final.

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