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Revelando: República dos Laranjas com Fábio Porchat | Ep. #7

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Postado por Calma Urgente em 20/10/2026. Ver o post original

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Olha quem voltou, hein?

Antes de tudo, voltei pra fazer uma correção.

Naquele vídeo sobre a Lagoinha, o Zé Tel, o Vorcaro, o Flávio Bolsonaro, eu disse que eles eram uma turma, uma irmandade.

Nas palavras deles mesmo, né?

Eu acho que eu cometi uma injustiça.

E no Revelando, a gente faz questão de corrigir os nossos erros.

O primeiro erro foi deixar de fora gente que merecia reconhecimento, muito reconhecimento.

Gente que nesse momento importa mais do que o Vorcaro, o Zetel ou qualquer igreja.

Eu deixei de fora um advogado de Brasília chamado Willer Thomas, que tinha escondido dinheiro dentro de livro e movimentou 5 bilhões de reais em site de aposta.

e eu deixei de fora o ministro do Supremo que hoje preside o TSE, Tribunal Superior Eleitoral, o tribunal que cuida da eleição, Cássio Nunes Marques.

Já o segundo erro foi chamar de Irmandade uma coisa que tem outro nome.

Muitos desses caras não eram só irmãos de fé, eram sócios.

Sócios em empresas mesmo, no sentido literal em alguns casos.

Ou em outros casos, sócios de conta bancária, de avião, de mansão.

Flávio Bolsonaro, usuário master em conta bancária de empresa ligada a Daniel Vorcaro.

Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Thomas dividiram a conta bancária da empresa Alcazar Holdings.

E maços de reais escondidos em livros cofre.

Comprei a ilha lá, Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Thomas foram lá em 24 horas, pegaram a posse lá da ilha.

Participação do ministro Nunes Marques numa festa de Daniel Vorcaro.

Então hoje eu vim fazer justiça a uma história que ainda é mais escandalosa que a do Banco Master.

É uma história em que parece que todo mundo é sócio de todo mundo.

De um advogado investigado por lavar dinheiro de aposentado,

de um banqueiro, de uma agência de prostituição, de um ministro do Supremo que frequentava as festas do banqueiro com as mulheres traficadas pela agência e, claro, de um certo candidato à presidência.

E é uma história em que, ao mesmo tempo, no papel, ninguém é sócio de nada.

No papel, as empresas são da doméstica, as contas são de uma offshore e as casas são da outra empresa.

Laranja é o nome que se dá pra gente que empresta o nome pra esconder o dono de verdade de uma coisa.

E essa é a história de um grande laranjal.

Antes que você grite, mas e o Lulinha?

Não vai falar do Lulinha?

Quero que fale do Lulinha!

Calma, aguenta, segura essa força aí.

No final, eu vou falar do Lulinha.

Primeiro, vamos aos sócios.

Ou melhor, supostos sócios.

Obrigado, jurídico.

Graças a Deus aí pelos vocábulos de cautela.

Suposto, alegadamente, possivelmente.

O primeiro membro dessa sociedade em que ninguém é sócio de verdade, mas todo mundo parece ser, seria Willer Thomas, advogado em Brasília.

Em agosto desse ano, a Polícia Federal entrou no escritório dele numa fase da operação que investiga o roubo do dinheiro dos aposentados do INSS.

Isso, aquele esquema dos descontos que ninguém autorizou.

O que a PF encontrou não está nos livros.

Policiais fizeram buscas neste escritório do advogado Willer Thomas.

A PF encontrou uma máquina de contar dinheiro e maços de reais escondidos em livros-cofre.

Mal começou o episódio, eu já vou ter que fazer a correção da correção.

O que a PF encontrou estava sim nos livros.

Triste, triste.

Ele escondeu o dinheiro em livro, porque ele sabia que era o único lugar que ninguém do escritório dele ia procurar.

Livro, o pessoal não lê.

A equipe do Willer Thomas claramente precisa desenvolver mais o hábito da leitura, tá dando até dinheiro.

Se você tava em Marte e não acompanhou o escândalo do INSS, deixa eu te explicar aqui.

Existem associações de aposentados que, em tese, oferecem serviços aos associados.

Então é assistência jurídica, dentista, desconto em farmácia, auxílio funeral, uma espécie de clube de benefício pra aposentado, olha que bacana.

Essas associações podiam fazer convênio com o INSS pra cobrar mensalidade direto da aposentadoria, antes do dinheiro cair na conta deles.

E isso era legal, desde que o aposentado autorizasse.

Só que a Polícia Federal descobriu que muita gente tava pagando sem ter autorizado coisa nenhuma.

Com assinatura falsa, autorização inventada e até gravação de voz falsificada.

Coisa de vilão de filme de sessão da tarde.

Mas infelizmente, não tinha uma turminha de garotos espertos aprontando altas confusões pra impedir os bandidos.

O resumo é, o aposentado nem sabia que era associado, mas o dinheiro saía todo mês.

E em cinco anos, começando lá no governo do Jair Bolsonaro, essas associações receberam mais de 6 bilhões de reais por esses descontos.

Depois que o dinheiro chegava às associações, alguém precisava movimentá-lo e a Polícia Federal passou a investigar se parte dele passava por empresas, contas de terceiros e imóveis pra esconder a origem.

Isso é lavagem de dinheiro.

E é nessa parte da investigação que aparece Willer Thomas.

A polícia suspeita que o advogado funcionasse como uma central financeira e patrimonial de políticos.

O sujeito cujas empresas movimentam dinheiro, pagam despesas e administram bens de outras pessoas sem que elas apareçam como donas de nada.

O Willer também é famoso por outra coisa.

Só em 2025, ele movimentou quase cinco bilhões de reais em sites de apostas.

Cinco bilhões.

Ele diz que isso é culpa do vício em jogo.

Ah, eu viciado em jogo, eu joguei cinco bilhões e acabei jogando.

É a mesma coisa que se declarar alcoólatra e beber o equivalente a uma represa de vinho tinto.

A Polícia Federal investiga se, na verdade, ele usava as bets pra lavar dinheiro.

Agora, pergunto eu, como é que alguém lava dinheiro apostando?

Muito bem, você coloca 100 mil de origem suspeita lá na plataforma, joga, saca 80 e apresenta esses 80 como ganho de jogo.

Perdeu 20, mas limpou 80.

É tipo um pedágio.

No caso do Willian, a Folha mostrou mais de 2 mil depósitos na Blaze, somando 325 milhões e quase 3 mil saques, somando 180 milhões.

E tem mais.

Um gerente VIP da plataforma simplesmente desativou o reconhecimento facial pra facilitar as movimentações dele.

Fofo.

A defesa diz que tudo foi feito por Pix de forma rastreável.

A pergunta de todo mundo é simples.

De onde saiu o dinheiro que o Willer colocou nas apostas?

E o que o Flávio tem a ver com o Willer?

Ele disse que o advogado é só um amigo.

O advogado respeitadíssimo que é o Willian é meu amigo, as nossas esposas são amigas, nossos filhos são amigos, não foi apenas essa viagem que fizemos juntos, fiz várias viagens junto com ele, então não tem absolutamente nada de errado e não dá pra querer criminalizar a amizade agora.

O problema é que a Polícia Federal achou no iCloud do Willer fortes indícios de que o Flávio e o Willer são bem mais do que amigos.

O Willer tem uma empresa chamada Alcazar Holdings, com conta no Santander.

Nessa conta, cadastrado como usuário master, com nível elevado de acesso e gerenciamento do dinheiro todo, estava Flávio Bolsonaro.

Pelo jeito, o Flávio é o que os gringos chamam de amigo com benefícios.

Financeiros, no caso.

E não sou eu que tô dizendo não, tá?

É um relatório da Polícia Federal, revelado pela jornalista Malu Gaspar do Globo.

A Polícia Federal escreveu que esse acesso de Flávio à conta da empresa do Willian sustenta a hipótese de uma participação societária de fato.

Em português, claro, o sócio que não aparece no contrato.

Isso sim é uma sociedade anônima, você vê.

É uma broderagem pessoa jurídica, uma participação societária no sigilo.

Quando você olha a data, fica tudo mais claro.

Em abril de 2025, a PF fez a primeira operação contra a fraude do INSS.

Um mês depois, uma funcionária do Willer mandou um e-mail ao Santander pedindo para tirar a conta Flávio Bolsonaro do usuário Master.

E no mesmo dia, o banco confirmou a exclusão.

O Flávio diz que nunca teve conta nessa condição e que o e-mail prova que o cadastro era indevido.

O Willer diz que os dois são só amigos.

Eu não sei vocês, mas eu não tenho conta conjunta com amigo nenhum.

Evito até compartilhar a senha da Netflix, que é pra não zoar o algoritmo lá.

Agora veja você, não é de hoje que Flávio fica desesperado quando alguma investigação chega perto do Willer Thomas.

Durante a CPI da pandemia, o nome do advogado apareceu durante a investigação de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin.

Renan Calheiros, que na época era relator da CPI, pediu a quebra de sigilo de William, incluindo os dados cadastrais, nome dos sócios e relacionamentos dele.

E Flávio deu o maior xilique.

O senador Renan Calheiros quebrou o sigilo fiscal do senhor William Tomás.

Ele tá quebrando de todo mundo que ele entenda que transite em torno de mim.

Isso tem que ser rechaçado veementemente.

Isso é um absurdo.

Isso é um crime.

Menino Flávio foi ficando laranja de raiva.

Como é que uma coisa assim machuca tanto e não se chama amor?

Mas infelizmente o PT parece ter colado e o pedido de quebra de sigilo do Willer foi cancelado.

E olha só, um ano antes, em 2020, uma testemunha ouviu como o Flávio chamava o Willer.

Os dois foram ver uma mansão em Angra dos Reis.

Aí o dono, Antônio Marcos da Silva, contou que o Flávio apresentou o Willer assim, temos vários negócios juntos.

E depois, ô sócio, vamos comprar essa casa.

A casa, aliás, acabou no nome de uma empresa do Willer.

A mesma WT.

E o jogador Richarlison, que tinha investido 10 milhões na casa, perdeu a casa na justiça e foi reclamar no Instagram.

Comprei a ilha lá, daí apareceu compradores e eu não quis vender, entre eles estava o Flávio Bolsonaro.

Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na justiça, né?

A gente estava resolvendo a papelada na justiça e eles falaram pra gente lá que demorava meses ou até anos pra resolver nessa papelada.

O que que pegou?

Flávio Bolsonaro e o tal do William Tomás foram lá em 24 horas, pegaram a posse lá da ilha, sem gastar um tostão, até onde eu sei.

Eu não recebi nada, gastei em torno de 10 milhões lá e não recebi nada.

Você é um fofo, sabia?

Pra quem perdeu uma ilha de 10 milhões, ele tá muito sereno.

Isso é Buda na vida de alguém.

Isso é Buda.

E agora reparem quem, no papel, comanda as empresas do Willian.

O ICL foi atrás e encontrou Lídia Mazzelli, de 61 anos, no comando de 14 empresas ligadas a ele.

Inclusive essa WT que ganhou a mansão do Richardson e que é dona da casa do senador.

Olha aí, empoderamento feminino.

Aê, Lídia!

Quando o repórter bateu na porta da Lídia, ela respondeu, não, eu sou doméstica aqui.

Quer dizer, a doméstica preside 14 empresas.

Isso é que a escola do Rio chama de laranja.

E o Willer não é o único caminho que parece conectar Flávio ao dinheiro do aposentado.

O homem que a Polícia Federal aponta como centro do esquema do INSS é um lobista chamado Antônio Carlos Camilo Antunes, ou o careca do INSS.

Agora, você imagina você ser tão careca que você rouba a aposentadoria de milhões de velhinhos, ao invés de ganhar um nome de vilão maneiro, te chamam de careca.

Poxa vida.

O careca do INSS está preso desde setembro do ano passado.

Segundo a PF, ele tem um sócio numa empresa fora do Brasil.

O contador dele, Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro.

E esse mesmo contador, olha que coincidência, faz a contabilidade do escritório de advocacia de quem?

Vou te dar dois segundos pra pensar.

Flávio Bolsonaro.

E a irmã dele, Letícia Caetano dos Reis, administra esse escritório de advocacia do Flávio desde que ele foi aberto, em 2021.

E ela contou à agência pública que chegou lá por indicação de quem?

Do Willer.

E quem defende o contador preso na justiça?

O Willer.

Tem ainda o prédio.

A fábrica de capacetes do Flávio e do irmão Carlos, a Bravo Grafeno, está registrada numa sala em Águas Claras, em Brasília.

E nessa mesma sala estão registradas pelo menos 16 empresas ligadas ao Careca.

Coincidência!

Como diz Einstein, a coincidência é a forma de Deus permanecer anônimo.

Nem ele quer ser ligado a esse caso.

Flávio não respondeu às reportagens e até hoje não há investigação aberta contra ele sobre o INSS.

Mas olha o que a gente tem.

O contador do careca do INSS é o contador do Flávio Bolsonaro.

A irmã do contador administra o escritório do Flávio por indicação do Willer.

O Willer defende o contador.

O Willer é investigado por lavagem de dinheiro no mesmo esquema.

A empresa do Willer tinha Flávio como usuário master da conta bancária e as empresas do careca moram no mesmo endereço da empresa do Flávio.

Isso é o candidato a presidente, a dois passos do homem que a PF chama de centro do roubo dos aposentados.

O segundo sócio você já conhece.

Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, que hoje está preso.

Eu contei no vídeo passado, né?

O Vorcaro negociou com o Flávio quase 24 milhões de dólares, supostamente pra financiar um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Flávio cobrava as parcelas de Vorcaro por áudio.

O Flávio é investigado no Supremo por isso.

Até nessa sociedade tem laranja.

O instituto ligado à produtora do filme tinha como tesoureiro, no papel, um eletricista.

Mas o eletricista contou ao Intercept que emprestou o nome e nunca cuidou de dinheiro nenhum.

Ela tava montando a ONG e precisava de alguém que figurasse como tesoureiro, né?

Mas o senhor chegou a participar de assembleia...

Eu tô achando que esse Dark Horse tá mais pra olhos de rosa, viu?

O que eu não contei é que o Vorcaro, assim como o Flávio, também parece ser sócio do Willer.

Em janeiro de 2025, Flávio voltou da Flórida pra Brasília num jatinho com a mulher, as filhas e o Willer.

O jato tinha três donos.

Um era Alcazar, a empresa do Willian em que Flávio era usuário master da conta.

O outro era a Prime U, uma empresa de bens de luxo que tinha Vorcaro como sócio.

Flávio disse que pegou carona no avião do amigo.

Na verdade, era o avião de dois amigos.

O amigo do INSS e o amigo do Banco Master.

E o Flávio tinha a senha do cofre de um deles.

A mesma Prime U administrava uma mansão da WT, a empresa da doméstica do Willian, lá em...

Lembra?

E sabe onde o Flávio comemorou o aniversário da filha dele?

Nessa mansãozinha mesmo.

Menina, casa boa.

O dono era a empresa do Willer e cujo administrador era a empresa do Vorcaro.

É a loucura tudo isso.

Mas é verdade.

E tem mais.

Tem, calma, segura.

Tem também um apartamento.

Em agosto desse ano, Flávio usou na campanha um apartamento de luxo em São Paulo que o cunhado do Vorcaro, Fabiano Zettel, vendeu pra WT do Willer por 2 milhões a menos do que pagou.

O registro encartou no dia em que o Zettel foi preso.

Gente, quem nunca vendeu um bem com prejuízo quando tava precisando de um dinheiro rápido?

Isso é tudo normal.

O Willer disse que nunca conheceu o Vorcaro.

Vamos aqui dar o benefício da dúvida pra ele.

Afinal, quem nunca teve uma sociedade num avião, numa mansão e num apartamento com um desconhecido?

Gente, é do jogo.

Vorcaro tinha outra sociedade.

E essa é a pior de todas.

Ele dava festas pra empresários, políticos e autoridades.

Só homens.

As mulheres não eram convidadas.

Elas eram selecionadas e pagas pros convidados.

E quem bancava tudo era o banqueiro.

Um promoter levava essas mulheres no que parece ser um grande esquema de prostituição e tráfico de mulheres e recebia 60 mil reais por mês pra fazer isso.

Minha gente, pelo jeito o emprego de promoter barra suposto cafetão ainda não foi precarizado.

Tá valendo.

E o UOL mostrou que o Vorcaro negociou comprar metade da agência que recrutava essas mulheres a Alure Eventos, sócio oculto de uma agência de prostituição.

Meu irmão, a p*** tá se comportando que é uma beleza, cara.

Você é louco.

Só que ela é russa, né?

Não tem visto.

E tá, pô, com a gente.

Pede permissão até pra ir no banheiro agora.

Não treinamos.

Não treinamos, meu garoto.

Nunca mais terá desvio de conduta.

Eu vou saudar de você, irmão.

E sabe pra quem eram faturadas as passagens e os hotéis dessas mulheres?

Pra Prime U, a mesma empresa do Jatinho, cujo outro sócio é a empresa do Willian, de quem Flávio também parece ser sócio.

A mesma que administrava a mansão de Angra, onde Flávio deu festa pra filha.

Em mensagens com o Vorcaro, os organizadores das festas chamam as mulheres de escravas e as mais novas de creches.

Entre essas mulheres estava uma jovem ucraniana de 19 anos que tinha fugido da guerra.

A cidade dela continuava sendo bombardeada, a mãe mandava áudios desesperada e os homens discutiam por mensagem se ela ficava no Brasil ou ia embora.

Quando o promotor avisou que tinha três refugiadas ucranianas, Vorcaro respondeu Esse era o nível.

Quem eram essas festas?

Aparentemente, pra gente como Cássio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal, que, segundo investigação da revista Piauí, frequentava com o filho Kevin os encontros no Triplex do Vorcaro.

Numa festa em fevereiro de 2025, o mordomo do Triplex mandou mensagens pro Vorcaro contando como tinha sido a noite.

Emprestei quarto do lado para ministro com cinco meninas.

Mais tarde, o Mordomo avisou que o ministro não tinha pressa nenhuma de ir embora.

Provavelmente ele pediu vistas, né?

Uma semana depois, uma mulher cobrou o Vorcaro.

Uma amiga tinha ficado com o Cássio e estava esperando receber.

Parece que o Cássio com K deu um calote com C.

A mensagem não diz o sobrenome, mas os investigadores entendem que é ele.

Cássio disse que nunca trocou mensagens com o Vorcaro.

E aqui a sociedade também tem dinheiro e também tem um nome no papel que não é o nome de verdade, ou seja, um laranja.

O Banco Master pagou 6 milhões e 600 mil reais a uma consultoria de um amigo de Cássio e essa consultoria repassou quase 300 mil reais pra Kevin Marques, o filho do ministro.

Quer dizer, uma brincadeira de passo a repasse misturada com show do milhão.

Aliás, precisamos falar sobre o Kevin.

O rapaz de 25 anos atuando apenas um ano como advogado que recebeu 300 mil reais.

No celular do Vorcaro, o diretor jurídico do banco pergunta se mantém no pagamento de 500 mil reais por mês e manda junto o contato do Kevin.

E no dia em que o Cássio deu o voto de desempate num julgamento que interessava ao Master, esse mesmo diretor mandou o placar pro Vorcaro, encaminhou o contato do filho do Cássio e escreveu duas palavras.

Dominado aqui.

Parece a mensagem de um gerente de boca, depois de tomar o ponto.

Cassio nega qualquer irregularidade e diz que julgou conforme a lei e diz que o filho nunca recebeu dinheiro do Master.

Não recebeu do Master.

Recebeu da consultoria do amigo que recebeu do Master.

É assim que funciona um laranjal.

O dinheiro nunca vai direto.

Agora a pergunta.

Como é que esse ministro chegou ao Supremo?

Em setembro de 2020, a Folha revelou que Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira influenciaram a escolha de Jair Bolsonaro pra vaga.

Flávio sugeriu ao presidente que avaliasse o nome do caso.

Dois advogados respaldaram a indicação.

Frederico Wassef, o advogado da família Bolsonaro, e Willer Thomas.

Em Brasília, os três eram conhecidos como WWF, Willer, Wassef e Flávio.

É, aquela mesma sigla daquela ONG do panda.

Mas eles não estão em extinção.

A Folha escreveu no mesmo dia que a escolha passava pela definição da situação jurídica de Flávio, porque o Supremo ia decidir sobre o foro dele e sobre as provas da rachadinha, lá naquele caso do Rio.

Cássio, claro, nega que o trio tenha participado da sua seleção, mas o fato é

que Cássio virou ministro.

Um ano depois, o Supremo anulou os relatórios do COAF, o órgão que rastreia a movimentação bancária suspeita que sustentava a investigação da rachadinha do Flávio.

Cássio Nunes Marques votou a favor do Flávio.

Você acredita?

Ele foi o árbitro e foi o VAR.

Sem os relatórios do COAF, o Ministério Público do Rio pediu o fim do caso.

Flávio não foi nem julgado.

Nenhum juiz disse que as acusações eram falsas.

As provas é que foram anuladas com o voto do Cássio Nunes.

Olha o mapa agora, porque o ciclo se fechou.

Segundo a PF, Flávio parece ser sócio de fato do Willer.

E a mesma empresa do Willer, onde Flávio tem acesso Master, é sócia do Vorcaro no avião, na mansão, no apartamento, o que tornaria Flávio, por tabela, sócio do próprio Vorcaro.

Vorcaro parece ser sócio oculto da agência que fornecia mulheres pras festas e a empresa dele pagava as passagens.

As mensagens apontam que nas festas estava o Cássio, cujo filho recebia pagamentos do Vorcaro.

E tudo indica que Cássio chegou ao Supremo pelas mãos do Flávio e do Willer e lá anulou as provas contra o Flávio.

Na véspera da prisão do Vorcaro, o Flávio escreveu pra ele Irmão, estou e estarei contigo sempre.

Não tem meia conversa entre a gente.

Só preciso que me dê uma luz.

No dia seguinte, o irmão estaria na cadeia vendo a luz na C quadrada.

Todo mundo aqui é sócio de todo mundo.

E, ao mesmo tempo, no papel, ninguém é necessariamente sócio de nada.

No papel, a dona das empresas do Willian é a doméstica.

No papel, a conta do Flávio é de uma offshore na Ilha da Madeira.

No papel, a casa do senador é da WT.

No papel, o tesoureiro do Instituto do Filme é um eletricista.

No papel, o dinheiro do Kevin veio de um amigo do pai, não do banco.

No papel, as passagens das mulheres eram despesas de uma empresa de bens de luxo.

Isso tem nome.

e Laranjal.

Vorcaro está preso, Zetel está preso, o Careca está preso, o contador está preso, o Willer é investigado, Cássio tá nas manchetes de todos os jornais e o único sócio que está livre, sendo saudado pelos jornais, candidato a presidente, é o do centro do mapa.

Sim, dessa brincadeira de pique-esconde só sobrou o Flávio pra mandar um pique-o-dois-três-salvo!

E o Lulinha?

E o Lulinha?

Mas e o Lulinha?

Você falou que ia falar do Lulinha!

Calma!

Segura a periquita que eu já chego nele.

Essa sociedade tem um manual pra não ir preso.

Quem deu essa letra, literalmente, foi o pai do Flávio.

Em abril de 2020, o presidente Jair Bolsonaro disse o que queria da polícia.

Já tentei trocar gente da segurança norte do Rio de Janeiro, e não consegui.

E isso acabou.

Eu não vou esperar foder minha família toda, de sacanagem, o amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança, uma porra da linha que pertence a estrutura, vai trocar, se não puder trocar, troca o chefe dele, o patrococha dele, troca o chefe dele.

Foder a família toda, sacanagem, troca-troca.

Isso foi uma reunião ministerial, tá?

Não foi uma conversa no vestiário, não.

Não é coisa de Tinder, não.

O membro da família com investigação no Rio naquele momento era o Flávio.

No caso, o caso das rachadinhas.

Dois dias depois, Sérgio Moro saiu do Ministério da Justiça dizendo que o presidente queria trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio sem motivo e colher relatórios de inteligência.

Eu vou fazer o quê, né?

Eu vou começar a empacotar minhas coisas...

e vou providenciar aqui o meu encaminhamento da minha carta de demissão.

Quatro meses depois, o presidente reuniu no Planalto o general Heleno, o chefe da ABIN, Alexandre Ramagem, e as duas advogadas do Flávio.

O assunto era como derrubar a investigação da rachadinha.

A reunião foi gravada e a Polícia Federal apreendeu o áudio no computador do Ramagem.

Ouve só.

Ah, que o presidente da República está querendo se utilizar da estrutura da presidência para defender o filho.

Eu acho que isso é uma apuração especulativa.

Porque a inteligência, Jairzinho, não pode ter acesso a cigarro.

Tem que vir de dentro da receita.

O cara conversava com quem era da receita?

O 010, que era a ministra do Estado.

Certo.

Depois dessa reunião, o chefe da Receita foi pessoalmente à casa do Flávio.

A Abin produziu relatórios para, nas palavras do próprio documento, defender FB no caso Alérgio.

E um arquivo chamado Bom Dia Presidente chamava os auditores de fiscais ladrões.

A agência de inteligência do país ficou trabalhando para defender o filho do presidente.

Enquanto isso, Queiroz, o homem que recolheu salários lá no escândalo da rachadinha, passou 19 meses sem aparecer pra depor.

Flávio, o pai e o advogado do Assef, diziam que não sabiam onde ele estava.

Em junho de 2020, a polícia encontrou Queiroz escondido na casa do Assef em Atibaia.

Bom, quem nunca perdeu também um amigo procurado pela polícia dentro de casa atrás de um sofá, gente?

Às vezes é entre a almofada, você abre, você acha o isqueiro e o rapaz.

Investigadores descobriram o paradeiro de Fabrício Queiroz, apontado como o operador do esquema de rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Onde está Fabrício Queiroz?

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público Estadual responderam a essa pergunta sobre o paradeiro do ex-motorista e ex-assessor do então deputado Flávio Bolsonaro.

Lembrando, o ACF, o W do meio da WWF, o mesmo que ajudou a indicar Cássio Nunes para o STF.

Em novembro de 2021, o Supremo anulou as provas do caso com o voto do caso.

Você já viu, né?

O manual funcionou e o caso morreu sem julgamento.

Agora o manual precisa de uma atualização, porque o pai não é mais presidente e metade da sociedade está presa.

Ramagem, condenado a 16 anos pelo golpe e foragido na Flórida, explicou o plano numa entrevista para a CNN em julho.

Ele afirmou à CNN que a extradição para o Brasil não vai acontecer.

Ramagem afirmou que volta, sim, se Flávio Bolsonaro ganhar as eleições.

Sim, uma das promessas de campanha do Flávio é repatriar condenado pela justiça.

É o bolsa fugitivo, né?

O Flávio já prometeu no Jornal Nacional que vai trabalhar pela anistia do pai ainda na transição e, se não conseguir, vai dar indulto.

Vou trabalhar pra que a anistia seja feita ainda na transição e, caso não ocorra, um indulto.

A investigação contra ele mesmo, Adoldar Costa, também para se ele for presidente, porque a Constituição diz que o presidente não responde durante o mandato por atos de antes da posse.

O presidente indica o diretor da Polícia Federal, que investiga o Willer.

O presidente indica o procurador-geral, que decide se denuncia o Vorcaro.

E o ministro que está presidindo a eleição é sabe quem?

O próprio Cássio, que nas últimas semanas suspendeu uma propaganda que falava do dinheiro do Master e mandou tirar do ar um canal de WhatsApp com milhões de apoiadores do Lula.

Quer dizer, o Cássio Nunes é tipo a Polícia Rodoviária Federal dessa eleição.

E falando em filho de presidente, chegou a hora de falar do Lulinha.

Eu prometi e vou cumprir.

Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, é investigado em três inquéritos do Supremo, abertos nesse ano por suspeita de tráfico de influência em favor de empresas do careca do INSS.

É, o mesmo careca, o mesmo esquema.

A mesma porta por onde entram as suspeitas sobre o Willer e Flávio.

Então eu vou te dizer o que existe contra ele e o que não existe na mesma medida.

O que existe é isso aqui.

Ele viajou para Portugal com o Careca para visitar uma fazenda e a própria defesa admitiu ao Supremo que ele não pagou a viagem.

Uma lobista amiga dele, Roberta Luchanzenga, recebeu cerca de um milhão de reais de uma empresa de fachada do Careca e a PF diz que aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome do Lulinha.

Agora, tem muita coisa também que não existe.

O relatório da PF que indiciou o Careca em julho não cita o Lulinha.

A Procuradoria Geral da República escreveu que não há prova de nenhum negócio fechado entre o Careca e o governo por causa dele.

E um relatório interno da PF, tornado público agora em setembro, diz que até o presente momento não há indícios de que esteja diretamente envolvido nos descontos.

Ele não foi indiciado nem denunciado e nega tudo.

Se o filho do presidente fez lobby pra lobista que roubava aposentado, ele tem que pagar e pronto.

E se não fez, ele tem direito de provar.

Agora repara numa diferença.

Os três inquéritos contra o Lulinha foram abertos pelo Supremo no governo do pai dele, a pedido da Polícia Federal do governo do pai dele, e estão ocorrendo normalmente.

O caso do Flávio ocorreu no governo do pai do Flávio também.

E o pai trocou o diretor da PF, fritou o ministro da Justiça, botou a BIM pra trabalhar na defesa, mandou a chefe da Receita na casa do filho e indicou pro Supremo um dos ministros que anulou as provas.

Um ministro recomendado pelo próprio Flávio.

E pelo Willer.

Um filho de presidente está sendo investigado, o outro foi blindado.

Olha só, né?

Com o filho, o Bolsonaro é antipolitivista.

Mas assim ele não vai aprender a se comportar, seu Jair.

E lembra do manual?

Trocar a polícia, botar a BIN, anular as provas, esconder o Queiroz?

Da última vez, funcionou.

Por quê?

Porque o pai era presidente.

Agora o pai tá preso, o banqueiro tá preso, o careca tá preso, o contador tá preso, o ramagem tá foragido e o sócio tá com a Polícia Federal batendo na porta.

E o escândalo todo, os laranjas, Vorcaro, Willer, ministro Cassio Nunes, tráfico humano, prostituição, tá apenas começando a ser esclarecido.

Tem muito trabalho pela frente.

Ou o manual.

E esse manual, a Operação Abafa, só vai funcionar de novo se o sujeito aqui do centro do mapa virar presidente.

Isso se o Brasil, diante de tudo, escolher ser sócio na impunidade.

Eu sou Flávio Porchat e esse foi mais um episódio do Revelando.

Oi, boa tarde, eu queria fazer uma solicitação, soube que estão procurando laranja aí, isso, eu queria me... Alô, alô, oi, tudo bem?

Eu queria ser laranja, é que eu tô sabendo que tem uns candidatos aí que estão usando bastante laranja, isso, eu me sinto pronto, eu me sinto pronto, é.

Não, não, não, ouve, ouve, ouve, ouve o que eu tô falando, ouve, alô, pelo amor de Deus, eu tô todo cagado de laranja, meu Deus do céu, se eu tiver que ir até aí, você não brinca comigo, eu topo, eu aposto 5 bilhões também, me dá 1 bilhão que eu aposto.

Por um bilhão eu aposto, não tem importância nenhuma, eu tenho sorte, eu aposto tudo no Vasco.

Vai dar tudo certo, tô te falando, alguma coisa vai ter que rolar.

Fica tranquilo, eu tenho experiência nisso.

E aceito.

Quantas empresas?

14?

Quero.

Eu devolvo 90%.

Eu fico com 10%, pelo amor de Deus, 10 é o mínimo que eu posso fazer por ele.

Eu sei que a tradição de vocês é essa.

Eu tô sabendo, eu já li no jornal.

É, porque eu tô acabando que eu fiquei desempregado com a prisão desse monte de gente aí do Banco Master e eu tô sobrando.

É, e eu sei que vocês estão precisando de um monte de gente.

Isso, na madeira, pode.

Conta na madeira, cara.

Totalmente, não tem problema nenhum.

Offshore?

Meu segundo nome é offshore.

Posso ser, sem problema nenhum.

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