Lista falas e atitudes da família Bolsonaro sobre a ditadura, o Ustra e as urnas, e alerta que, com Flávio no poder, a democracia pode estar em risco. Lembra a proposta de mudar a Constituição.
O Flávio Bolsonaro não vai acabar com a democracia.
Isso é puro alarmismo da esquerda.
Essa foi uma das coisas que eu mais ouvi nesses últimos dias conversando com pessoas que pensam diferente de mim sobre política.
E eu acho que vale a pena discutir isso.
Eu acho que tem muita gente alarmada mesmo.
Mas afinal, quais são as evidências concretas de que a democracia brasileira corre algum risco com a volta da família Bolsonaro ao poder?
Vamos voltar rapidinho no tempo.
Lá em 99, o Bolsonaro declarou numa entrevista que se ele fosse presidente, ele daria um golpe e fecharia o Congresso Nacional.
No mesmo dia.
Em 2016, durante a votação do impeachment da Dilma, o Bolsonaro homenageou o brilhante Ustra, um torturador da ditadura brasileira.
Em 2019, já como presidente, o Bolsonaro negou que tivesse existido uma ditadura no Brasil.
E ele mandou os quartéis comemorarem o aniversário do golpe de 64.
Em 2020, o Bolsonaro participou de uma manifestação em que as pessoas pediam intervenção militar, o fechamento do Congresso, do STF e a volta do AI-5.
E durante anos, o Bolsonaro questionou a segurança das urnas eletrônicas sem apresentar nenhuma prova de fraude.
Ele, inclusive, convocou embaixadores estrangeiros, usando a estrutura da presidência para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
E aí a gente chega ao 8 de janeiro.
A tentativa de golpe não se resume àquelas pessoas invadindo os três poderes.
Houve uma articulação envolvendo militares de alta patente, integrantes do governo e planos para impedir a posse do Lula.
Existem provas documentais, depoimentos e condenações judiciais.
Sim, eu acho legítimo discutir a proporcionalidade de algumas penas aplicadas aos participantes do 8 de janeiro, mas isso não apaga a existência da trama golpista.
Agora, por que tudo isso importa numa eleição em que o candidato é Flávio Bolsonaro?
Porque o Flávio faz parte desse projeto político.
Em 2017, o próprio Flávio negou que tivesse havido um golpe militar em 64, elogiou o Ustra e questionou as urnas eletrônicas.
E agora, logo depois do primeiro turno, ele já fala em mudar a Constituição e redemocratizar o Brasil, inclusive com uma reforma do Judiciário.
Claro que mudar a Constituição não é necessariamente antidemocrático.
Mas eu acho que importa muito saber quem propõe essas mudanças, quais são elas e em que contexto elas são feitas.
Eu não tenho como afirmar que o Flávio vai acabar com a democracia no Brasil, ninguém tem.
Mas eu também não consigo olhar pra esse histórico inteiro da família Bolsonaro e dizer que essa preocupação é só uma invenção da esquerda.
Se fosse outro candidato de direita, sem esse passado todo, eu faria uma avaliação diferente, eu prometo.
Mas a gente tá falando de uma família que há décadas relativiza a ditadura
Homenageia a torturadores, questiona o resultado das eleições, só quando eles perdem, é claro, e confronta instituições democráticas.
E que agora pode chegar à presidência com um congresso muito favorável.
Então, para mim, a pergunta não é se a democracia vai acabar no dia seguinte à eleição.
A pergunta é, diante de tudo isso, por que a gente deveria simplesmente acreditar que não existe risco nenhum?