Faz um guia para quem faltou, anulou ou votou em branco: critica Lula e Flávio, mas alerta que um Flávio com Congresso e Supremo alinhados seria um poder sem freio.
Esse vídeo não é pro bolsonarista ferrenho nem pra bolha militante de esquerda.
É pra quem ficou em casa no dia 4, pra quem anulou, pra quem votou em branco ou tá pensando em fazer isso no dia 25.
E eu já começo sendo honesto com você porque eu acho que você merece isso.
Eu tenho um lado.
Eu vou te mostrar os fatos, vou criticar os dois candidatos, inclusive o que eu acho menos pior, e no final eu vou te dizer por que, na minha leitura, o risco maior está de um único lado.
Você não precisa concordar comigo, mas precisa saber o que está em jogo.
Primeiro, onde que a gente está agora?
Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula.
Foi uma surpresa.
Durante todo o ano as pesquisas mostravam Lula na frente no primeiro turno.
A diferença entre os dois ficou em pouco mais de 2 milhões de votos.
Agora olhe o tamanho do grupo que você faz parte.
Somando a abstenção, brancos e nulos, 25,85% do eleitorado ficou de fora e só a abstenção passou de 33,4 milhões de pessoas.
Quem ficou em casa é um grupo 15 vezes maior que a diferença entre os dois.
Essa eleição não vai ser decidida pelos convictos, vai ser decidida por você, você.
E aqui vai a primeira coisa que pouca gente tá explicando.
O primeiro turno já decidiu metade do jogo e não foi a metade da presidência, foi o congresso.
O PL elegeu 121 deputados e virou a maior bancada da Câmara.
No Senado, o partido vai chegar a 28 cadeiras, a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde 1988.
Somando direita e centro-direita, são 48 senadores, acima dos 41 votos necessários para aprovar ou barrar ministros.
No Supremo, na Câmara, PL, União Progressista, Republicanos e Novo somam 258 cadeiras, uma acima da maioria absoluta.
A própria família Bolsonaro conquistou 4 cadeiras no Congresso.
Ou seja, quem quer que vença no dia 25 vai governar um congresso de direita.
Isso já é fato.
O que você decide agora é se esse congresso vai ter um contrapeso no Planalto ou um parceiro.
Junta isso ao Supremo.
O próximo presidente vai poder indicar até quatro ministros, contando a vaga que já está aberta e as três aposentadorias obrigatórias do mandato.
Hoje tem dois ministros indicados por Jair Bolsonaro.
Mais 4 da 6 de 11, maioria na corte.
E quem aprova essas indicações é exatamente esse Senado que acabou de ser eleito.
Pensa no desenho completo.
Presidência, maioria na Câmara, maioria no Senado e maioria no Supremo, tudo alinhado no mesmo grupo político.
Não tô dizendo que daria pra fazer qualquer coisa amanhã.
Pra mudar a Constituição, por exemplo, ainda ia faltar um pouquinho de voto.
E o Centrão cobra caro.
Mas o Centrão historicamente vai com quem tá no poder.
E em um país em que os três poderes respondem ao mesmo sobrenome, perde exatamente aquilo que impede abusos.
Alguém com força de dizer não.
E aqui que entra uma coisa que eu venho mostrando há muito tempo aqui no meu perfil.
Nos vídeos sobre as dinastias do poder brasileiro, o Flávio tem direito à reeleição, então a gente está falando potencialmente de 8 anos.
O pai dele está inelegível e foi condenado pelo Supremo por tentativa de golpe, mas o plano de Flávio promete anistia ao papai e os condenados do 8 de janeiro.
Com o Supremo reformado pelo próprio grupo, essa anistia deixa de ser promessa de palanque e vira uma possibilidade real.
Depois de Flávio, ele pode colocar o irmão, a mamãe, o papai, o outro irmãozinho.
Quem quer que a família escolha?
Não é uma profecia, isso é um padrão.
Família que controla o executivo, o legislativo e a indicação de juiz.
Ao mesmo tempo, não larga o osso, ninguém larga o osso do poder.
Ele passa o poder de mão em mão dentro da casa.
O Brasil conhece muito bem essa história e você também.
Só que ela costumava acontecer em escala estadual, municipal.
Agora seria em escala nacional pela primeira vez.
Tem também a questão da soberania.
Em 2025, o Brasil levou um tarifácio de 50% dos Estados Unidos, justificado pelo governo Trump, com o julgamento de Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro estava em Washington pedindo sanções contra as autoridades brasileiras.
Essa é uma família que, quando contrariada aqui dentro, foi buscar pressão econômica lá fora e quem pagou por isso foi o exportador brasileiro.
A postura diante dos Estados Unidos é, segundo analistas, um dos pontos de maior divergência entre os dois candidatos.
Agora, pergunta pra si mesmo quem que defenderia o interesse brasileiro numa negociação com Washington se o outro lado da mesa é aliado pessoal do presidente.
Tem a questão da religião na política e aqui eu quero ser muito cuidadoso.
Não, eu tô falando da fé de ninguém.
O evangélico que vai no culto de domingo não é um problema.
O problema é o projeto político de lideranças que usam púlpito como palanque e querem transformar a crença de um grupo em lei para todos.
Com um congresso desse tamanho, uma bancada evangélica forte, pautas como direitos reprodutivos, LGBT e o conteúdo das escolas ficam muito mais vulneráveis.
Num estado laico, você tem o direito de viver sua fé.
O que você não pode é impor essa fé ao vizinho por decreto.
O plano de Flávio Farra é um corte profundo de despesas que ele mesmo chama de tesouraço e em revisar a Previdência.
Fala também em reduzir impostos, só que, segundo o Metrópolis, o documento não diz quanto isso custa nem de onde vai sair esse dinheiro para compensar.
Dizem que da saúde e da educação, quando alguém promete cortar imposto e cortar gasto ao mesmo tempo, sem mostrar a conta, você precisa se perguntar
O que vai ser cortado?
Os analistas comparam a proposta de reforma de Milley na Argentina.
Então você tem que se perguntar também se você quer o ajuste no modelo argentino e quem pagou esse ajuste lá.
Do lado do Flávio, o argumento mais forte é real e merece ser dito com honestidade.
Muita gente está cansada do PT, sente que o Estado gasta muito e entrega pouco e quer resposta dura contra o crime organizado.
Ele propõe classificar as facções do PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas e também quer alfabetização pelo método fônico e correção da tabela SUS para as santas casas.
São algumas propostas que conversam com problemas reais, mas provavelmente não vão acontecer.
Alternância de poder também é saudável numa democracia e eu entendo muito bem isso, eu entendo quem pensa assim Agora o Lula, eu não vou passar pano aqui, o Lula tá com 80 anos e ia tomar posse com 81, no que seria o quarto mandato É um governo que não preparou sucessor, o PT chega em 2026 dependendo do mesmo nome desde 1989 E isso é um fracasso de renovação e não uma virtude
A pressão sobre o gasto público e a dívida é real e o custo de vida pesa no bolso de todo mundo.
Teve o escândalo de descontos indevidos das aposentadorias do INSS, que estourou durante o governo, e a articulação política é fraca a ponto de o Senado ter rejeitado a indicação dele para o Supremo, uma coisa que não acontecia tem mais de um século.
E sobre a Lava Jato, a decisão importa, porque as condenações do Lula foram anuladas por questões processuais, por incompetência de foros e por suspensão do juiz, que por sinal agora é governador.
E não houve absorção de mérito.
Pelo mesmo critério, as provas do caso das rachadinhas contra o Flávio também foram anuladas por questão processual.
Quem usa um caso para atacar e ignora o outro está sendo desonesto.
Então, por que, mesmo com tudo isso, eu acho que o maior risco está do outro lado?
Por causa do desenho.
O Lula tem 81 anos, não tem sucessor, e com um congresso de direita contra ele vai ser um governo limitado, vigiado e cobrado o tempo inteiro.
Ele não tem como se perpetuar, porque biologicamente e politicamente esse ciclo acaba em 2030.
Um Flávio com um congresso supremo e presidência alinhados é outra coisa.
É um poder sem freio, com um projeto de família e sem prazo pra acabar.
Com Lula, o pior cenário é um governo fraco.
Com Flávio, o pior cenário é não ter como mudar de ideia depois.
Uma última coisa sobre o voto em branco e o nulo.
Eles não entram na conta.
Só os votos válidos decidem.
É aquele boato de que se mais da metade anular, a eleição é cancelada.
É falso.
Fique claro, essa regra trata de fraude e de votos anulados pela justiça eleitoral, não do nulo que você digita na urna.
Se você anular, a decisão fica com quem votou.
Esse é um direito seu, mas que seja uma escolha consciente.
O segundo turno é no dia 25 de outubro.
Vamos voltar.
Pensa no país que você quer daqui a 8 anos e não só daqui a 4 e decida.
E tem um detalhe curioso nessa eleição.
O Renan Santos, que ficou em quarto lugar, já declarou, da própria maneira, que eu acho muito engraçado, o apoio à esquerda.
Mas faz a conta do ponto de vista dele.
O Renan tem um discurso de defesa da indústria e do interesse nacional.
As protecionistas.
A família Bolsonaro, quando foi contrariada aqui dentro, foi buscar tarifa e sanção lá fora.
Mais do que isso, o Renan é jovem e está construindo um projeto a longo prazo.
Se os Bolsonaro dominarem a presidência, o Congresso e o Supremo ao mesmo tempo, não sobra nenhum espaço para nenhuma direita que não use esse sobrenome.
Para quem quer disputar a presidência no futuro, um Flávio no Planalto por 4, 8, 30 anos é uma porta fechada.
Na minha leitura, o maior interessado em que essa dinastia não se consolide agora pode ser justamente alguém da própria direita.
E olha só, eu vou deixar registrada uma aposta minha pro futuro, pra gente cobrar daqui a 8 anos.
O segundo turno de 2034 vai ser Renan Santos contra o pirralho frouxo das caminhadas.
Guarda esse vídeo, manda pra aquela pessoa que não quer nenhum nem outro.
Meu nome é Yuri Peragib, talvez você me siga pelas minhas análises de políticas imparciais, talvez pelos exposeds da maçonaria, talvez pelas sociedades secretas e da magia.
Eu não sou um gigante na internet, mas eu tenho alguma voz com 500 mil seguidores.
E essa voz, numa análise seca e racional, não quer outra dinastia política no Brasil.
Então, por favor, sai de casa no dia 25.
Eu não votei no primeiro turno.
Mesona eleitoráfica em outro estado.
Mas eu vou viajar até lá pro segundo turno e eu espero que você faça o mesmo.
Esse quadro aqui que fica no fundo do meu cenário é de um chargista muito icônico do Rio de Janeiro chamado Lan.
O Lan foi meu padrinho e ele fugiu do fascismo na Itália.
Por muito tempo ele fez charges políticas e em algum momento ele ficou mais reconhecido pelas ilustrações do Rio de Janeiro, das mulheres que ele admirava muito, das curvas sinuosas do Rio e das mulheres, que hoje em dia seria criticado pela esquerda universitária, que gosta de problematizar tudo.
Eu tenho muito carinho pelo Lula.
Ele faleceu aos 95 anos, alguns anos atrás, e era um cara fantástico de se conversar.
Tenho saudade dele.
Foi um grande amigo de família.
Ele ficava horas me contando histórias sobre a máfia italiana, eu achava incrível.
Eu gosto muito do discurso dele, que ele se declarava como um terrorista light, e esse é o melhor autodescrição que eu já vi na minha vida.
O questão é que esse quadro talvez simbolize muito do que eu faço aqui.
Embora não pareça, porque é só uma imagem dele, ele sempre desenha pequenininho aqui embaixo, ele sempre minúsculo, frente às mulheres gigantescas, meio que de forma a enaltecer a figura feminina.
E ele sempre com o bigodinho de velhinho, porque meu pai conheceu ele, ele já era idoso grisalho, então...
40 anos, já era um senhorzinho.
O Lana era um cara muito inteligente.
Isso aqui representa um pouco da minha visão e da visão dele, que talvez eu me inspire um pouco, porque ele era um cara que já estava de saco cheio de política, tanto que ele parou de fazer charge de política e começou a representar só a beleza do Brasil.
Ele representava de forma tão icônica que ele virou uma das figuras mais conhecidas do Rio de Janeiro.
E talvez o ponto seja esse.
Tá todo mundo de saco cheio de política.
E de alguma forma, esse legado dele ficou.
Porque embora ele estivesse de saco cheio, ele também mantinha seu posicionamento, ele também defendia o que ele acreditava, ele também foi um cara que viveu na pele os problemas de um governo autoritário.