Nem Lula nem Bolsonaro: o que a eleição significa para a democracia
Postado por Fernanda Domingos em 13/10/2026. Ver o post original
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Bora votar?
Nem Lula, nem Bolsonaro.
Particularmente, eu não sou fã de nenhum dos dois porque eu não idolatro político.
Eu acredito que político é funcionário e eles deveriam trabalhar pra gente e não a gente trabalhar pra sustentar a família deles.
Assim como eu acredito que muita gente queria uma novidade, a gente queria ver novas soluções pra problemas antigos.
A gente quer ver nosso país ir pra frente, melhorar, assim como a maioria das pessoas.
Eu acho que mesmo quando a gente diverge em ideias, todo mundo quer ver o país indo pra frente.
Pois bem, eu decidi pesquisar há quanto tempo cada um dos candidatos já está em cargos do governo.
E eu tive uma surpresa.
Você sabia que o Lula está há 16 anos de poder, o que é bastante coisa, mas o Flávio Bolsonaro, que é bem mais jovem que ele, está há quase 26 anos em cargos?
Porque eu não sabia, eu descobri pesquisando, e você pode ler aqui embaixo o que cada um fez, ele começou como deputado, depois presidência, e o Flávio, eu fiquei na dúvida se eu colocava esse primeiro ponto ou não, porque no imposto de renda dele mostra que ele recebia 5 mil por mês de emprego que ele tinha em Brasília, só que na época ele estudava e trabalhava no Rio de Janeiro.
Fiquei meio na dúvida porque não está no currículo público dele, mas como está no imposto de renda,
É isso aí.
O que eu acho que é importante olhar no currículo?
Porque eu acho que a gente vai tratar isso como se a gente estivesse contratando, assim, alguém pro cargo mais importante da nossa empresa.
Porque é isso que a gente tá fazendo.
Ele vai ser a cara do nosso país.
Então eu fiz duas colunas, uma de feitos e uma de investigações, porque a gente tá nesse nível.
Essa segunda aqui é do filho do Lula, mas eu deixei aqui.
E a gente pode comparar.
Se você quiser ler, é só pausar.
Essas que estão mais clarinhas é porque estão em trâmites na câmera, não são leis.
Essa aqui é a única lei e ele é coautor, não autor.
Então, isso que eu achei nas minhas pesquisas.
E daí, como é que a gente faz pra tomar uma decisão?
Então, a gente esquece de uma coisa muito importante.
O presidente não faz nada sozinho.
Eu sempre falo isso porque as pessoas tratam como se fosse um jogo de futebol que você torce pra um lado ou pro outro.
E esquece que tem todos os jogadores que são muito importantes, que são deputados e senadores.
E a gente já tem aí as respostas do primeiro turno que mudam todo o cenário.
Isso aqui influencia muito no que o presidente vai ser capaz ou não de fazer.
Dessa vez, o PL elegeu 121 deputados e 19 senadores.
E o PT ficou com um número menor.
Mas, além disso, tem os apoiadores deles, que é bem importante.
Isso aqui é importante falar porque existe uma regra que, para alterar a Constituição, você precisa de 3 quintos dos votos da Câmara e do Senado.
Eles votam duas vezes.
Ou seja, 308 deputados e 49 senadores.
De acordo com os últimos dados, somando o partido do Flávio mais os apoiadores deles, eles têm a maioria.
E, sinceramente, eu não fazia ideia de nada disso.
Eu sou bem leiga no assunto, não tava sabendo de nada até o próprio Flávio falar.
Ele falou que eles estão na maioria e que eles vão alterar a Constituição.
E isso aqui, gente, é muito assustador.
Porque significa muita coisa e ele não especificou quando ele disse isso.
Vários medos surgiram.
Isso significa que ele vai mudar a Constituição pra poder ficar 8 anos?
20 anos?
Ou será que ele vai querer alterar algum direito meu ou seu?
A gente não sabe.
E por que isso é tão assustador?
Porque o pai dele está literalmente preso por tentativa de golpe, de acabar com a nossa democracia.
Eu posso até não amar nenhum político, mas eu amo a nossa democracia, eu amo que a gente pode votar para decidir no coletivo o que a gente acha melhor para o nosso país.
E dessa forma, gente, tomando isso aqui com isso aqui, gente, isso aqui se torna assustador.
E recentemente foi publicado esse livro aqui, escrito por um comandante da aeronáutica do governo Bolsonaro, contando o que aconteceu lá em 2022, quando ele perdeu e queria usar das forças do exército para continuar no poder.
E diz ele, então, que eles mesmos tiveram que falar, cara...
Não, senão a gente vai ter que te prender.
Então sim, me chame.
Então pra ser sincera, eu tô com medo sim.
Nos leva a 2030, que a gente não sabe o que vai acontecer, a gente quer que continue tendo uma democracia, mas o fato é que se o Lula ganhar agora, ele não vai poder concorrer na próxima, e daí quem sabe a gente finalmente conseguiria sair dessa polarização Lula vs Bolsonaro, que ninguém aguenta mais.
E se o Flávio vencer, eu não estou entendendo o que vai acontecer, porque de acordo com ele, ele quer acabar com a reeleição, mas pessoas do partido dele dizem que querem botar o pai dele de volta como presidente no futuro.
Então acredito que não tem um consenso.
E eu acho que está acontecendo um movimento bem interessante agora, que as pessoas estão começando a separar esquerda, direita e bolsonarismo, porque realmente não é a mesma coisa.
O livro Como as Democracias Morrem foi escrito por dois professores de Harvard e é super aclamado, super importante e o que eles mostram é que atualmente essas tomadas de poder não são feitas com a força, tipo tanques de guerra como era antigamente, mas através de eleições democráticas mesmo e aos pouquinhos vai se tirando direitos e vai se impondo um tom mais autoritário.
Mas por que esse vídeo todo?
Além do meu medo, eu acredito que o Brasil é o melhor país do mundo.
A gente é gigante por natureza, a gente tem tudo em abundância, a gente tem água, a gente tem solo fétil, a gente tem tudo o que precisa.
Ah, mas então por que é um país tão corrupto e tão violento?
Tá tudo no nosso livro de história, gente.
O Brasil foi um país que foi explorado e abusado, e até hoje a gente tenta consertar as consequências da colonização.
A gente não tá tentando.
Tão distante assim.
As pessoas ainda tratam o Brasil como algo a ser explorado e abusado, mas a gente que é brasileiro sabe que a gente mora no melhor lugar do mundo e a gente tem tudo no melhor e precisa proteger.
E eu acho que é isso que vai nos levar num lugar melhor.
É educação e a gente valorizar, porque a gente precisa acabar com essa síndrome do vira-lata que nos trouxe até aqui, sabe?
De achar...
Nossa, não tem mais jeito!
Tem jeito sim!
A gente vai conseguir chegar um dia lá, a gente precisa de reformas e a gente precisa melhorar a administração, mas a gente já tem o que é mais difícil, que são todos os recursos naturais necessários e eu realmente acredito que a gente precisa protegê-los.
Eu não acho que eu falei nada demais, vocês sabem que eu sou a favor da educação, proteção ao meio ambiente, direitos das mulheres, direitos humanos, eu não acho que eu ia falar nada demais.
Eu sei que eu tenho um público incrível e que mesmo quando a gente discorda dos caminhos, a gente sempre conversa e é um público muito tranquilo, muito mente aberta, são pessoas que estão afim de dialogar e muito tranquilas em geral, mas eu tenho medo sim de estar gravando esse vídeo se furar a bolha, ao furar a bolha,
Porque em 2021 eu sofri um ataque cibernético de um grupo de homens e nem era um vídeo político, era um vídeo que eu falava sobre a representação das mulheres nos quadrinhos, que é a minha área, design, art, desenho.
E depois desse fato, em 2021, eu passei anos com dificuldade de falar o que eu penso.
Não é nesse mundo que eu quero viver e eu tenho ansiedade de fazer esse vídeo e eu tenho medo, mas eu acho que eu não ia me perdoar se algo acontecesse depois e eu pensasse, putz, eu devia ter falado quando eu ainda podia, sabe?
É isso.
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