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Opinião: não saber perder é o pior defeito de um presidente

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Defende que a democracia aguenta governos ruins, mas não quem não aceita perder a eleição. Diz que a maioria governa o país, não a vida dos outros.

Postado por GZH em 09/10/2026. Ver o post original

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Eu aceito ser governado por um idiota, por exemplo.

A democracia me obriga a suportar esse risco.

Também aceito perder para quem eu acho pior.

Aceito quatro anos de decisões que me revoltam.

Aceito ver milhões de brasileiros comemorando exatamente o que eu lamento.

Faz parte.

O que eu não aceito é correr o risco de, junto com a derrota, perder o direito de tentar vencer na próxima.

Eu preciso ter certeza de que vai ter uma próxima.

Não posso abrir mão disso.

E esse é o principal motivo que me fez votar no primeiro turno e vai me fazer votar de novo num candidato que sim, eu considero ruim.

Não vou fingir que os defeitos deles são pequenos porque o outro é pior.

Mas tem defeitos que a democracia consegue enfrentar.

Demagogia, incompetência, corrupção, irresponsabilidade e existem outros defeitos que destroem as condições que tornam a própria democracia possível.

Essa é a diferença central.

Não saber perder é o pior dos defeitos.

Quem aceita governar uma democracia aceita ser mandado embora por ela.

Não interessa se o sujeito acha que é ungido por Deus, se milhões de bajuladores o aplaudem, se o outro grupo é um desastre, não importa.

O presidente recebe a chave de uma casa que não é dele, se não foi reeleito, devolve a chave a Deus.

E outra, a maioria tem o direito de governar, não tem o direito de decidir quem merece direitos.

Qual família é família de verdade?

Que tipo de amor é digno de respeito?

Qual pronome uma pessoa deve usar?

Que religião é a mais correta?

Aliás, um presidente pode entregar a própria vida a nosso Senhor Jesus Cristo, claro, é uma escolha dele, mas não pode entregar ao Brasil, que talvez não seja a escolha de 200 milhões.

Maioria governa o país, não governa a vida dos outros.

E mesmo com maioria, o presidente não tem que ser forte demais.

Ao contrário, tem que ser fraco bastante pra não conseguir fazer tudo o que quer.

E pra isso existem congresso, justiça, imprensa, oposição.

Podem ser imperfeitos, asquerosos em alguns momentos, mas são a garantia de que o presidente não pode tudo.

O presidente é livre pra discordar, pra recorrer, mas não pode arrancar desses contrapesos o poder de dizer não pra ele.

Sobre o meu candidato, os defeitos dele vão continuar lá se ele vencer.

E olha, eu não vou me calar sobre eles.

Acho ridículo esse contrato de lealdade entre quem dá o voto e quem recebe o voto.

Não tem cabimento passar quatro anos inventando cambalhota retórica pra defender todo tipo de desatino de um cara que, na prática, trabalha pra mim.

É o contrário.

Se eu ajudei a eleger o sujeito, a dívida é dele comigo.

A minha dívida é com a próxima eleição.

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