Flávio prometeu abrir R$ 200 bi no orçamento: de onde sairia?
Postado por Henrique Arake | Empresarial em 20/10/2026. Ver o post original
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Isso aqui é pra você mandar pro seu amigo que acha que o Flávio vai organizar as contas públicas.
Ou ele mentiu no debate, ou ele está mentindo pra você.
Meu nome é Henrique Araque, eu sou mestre doutor em análise econômica do direito, sou professor de direito empresarial e também advogo na área.
E eu fiz as contas com os números da própria campanha.
Sexta-feira, na Globo, ele garantiu três coisas.
Que manteria o aumento real do salário mínimo, que não desvincularia a aposentadoria do mínimo e que não acabaria com os pisos de saúde e educação.
E no domingo, no debate, ele prometeu mais.
Construiria meio milhão de vagas em presídio, instalaria um milhão de câmeras, manteria o Bolsa Família e compraria a dívida das famílias.
E dias antes, ele disse que o governo bancaria a compensação das empresas pelo fim da 6x1.
E ele disse como pagaria.
Abriria no orçamento um espaço de mais de 200 bilhões de reais para ajudar a pagar a sua dívida e o governo a pagar a dele.
Só que no orçamento de 2027, 92% do gasto já é obrigatório.
Aposentadoria, servidor, saúde, educação, BPC.
Sobram 222 bilhões para o governo escolher que pagam o funcionamento da Polícia Federal, universidades e obras.
Os 200 bilhões deles são quase tudo isso.
E de onde sairia esse dinheiro?
10 ministérios a menos?
Na Globo ele mesmo admitiu.
Isso não gera uma economia na proporção de 200 bilhões por ano.
O exemplo dele é 2019, um decreto que extinguiu 21 mil cargos e funções com economia estimada de 195 milhões por ano, mil vezes menos.
O plano de um assessor dele, de setembro, só pôs número em três itens.
Reforma administrativa, combate à fraude e gestão de imóveis.
No máximo 85 bilhões.
Mesmo somando todos os super salários do país, inclusive dos estados, daríamos 20 bilhões.
Ainda faltaria perto de 100 bilhões todo ano.
Ele também citou imóveis da União, dívidas a receber e o petróleo da margem equatorial.
Só que vender ou antecipar isso é dinheiro que entra uma vez só, é vender ativo.
É vender os computadores do escritório para pagar as contas no mês.
As contas voltam e o trabalho continua sem eles.
Onde estariam os 100 bilhões que faltam?
A Folha revelou o que a equipe dele discutiu, corrigir a aposentadoria, BPC e os pisos de saúde e educação só pela inflação, até 250 bilhões.
A campanha negou que fosse proposta oficial, mas o coordenador, Rogério Marinho, já tinha dito que ia revisitar a Previdência.
E essas promessas também tem preço.
Meio milhão de vagas em presídio, uns 35 bilhões só pra construir.
E a 6x1 que ele jogou pro colo do governo custaria as empresas 267 bilhões por ano pela conta da indústria.
Uai, sobram só dois caminhos.
Se cumpriu o que prometeu, o dinheiro vai pra dívida e pras promessas, e a conta não fecharia.
E quem acha que ele tá arrumando as contas estaria sendo enganado.
Se ele fizer o corte que a equipe estudou, sairia do aposentado, do BPC, do SUS, da escola.
E aí ele mentiu na Globo e no debate.
Gente, ajuste fiscal é sério.
E alguém vai ter que fazer.
Mas quem prometeu 200 bilhões sem dizer de onde, quer que você assine um contrato sem dizer o preço.
Manda esse vídeo pro seu amigo.
As fontes estão na legenda.
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